Paris, 11 (AE-REUTERS) - O ex-primeiro-ministro francês Laurent Fabius negou hoje (11) à Justiça de seu país a acusação de que teria favorecido, em 1985, os testes franceses para detectar a aids, em detrimento de um exame norte-americano. Isso teria disparado a propagação de sangue contaminado.
Em duas horas de depoimento perante o Tribunal de Justiça da República, Fabius apresentou sua defesa no terceiro dia do julgamento. Alega-se que ele teria empregado uma "estratégia de favoritismo", que acabou por atrasar os testes antiaids com um método norte-americano, até que o francês ficasse pronto. Apesar das "incertezas científicas, as coisas foram feitas com a maior rapidez possível", declarou hoje.
Além de Fabius, atual presidente do Parlamento, o ex- ministro da Saúde Edmond Hervé e a ex-ministra de Assuntos Socias Georgina Dufoix também estão sendo acusados de ter responsabilidade na morte de cinco pessoas contaminadas com o HIV e pela infecção de outras duas em 1985. As vítimas estão entre umas 4 mil pessoas que contraíram aids na França por meio de tranfusões de sangue no início da década de 80. Um relatório divulgado em 1991 revelou que uns 300 casos eram "evitáveis".
Essa é a primeira vez que ex-ministros vão a julgamentos por seus atos oficiais. Todos estão sendo acusados de homicídio culposo e por "atacar a integridade física dos outros" por "imprudência", "falta de atenção" e "negligência". Podem pegar até 5 anos de prisão e sofrer uma multa de até US$ 90 mil.

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