Ex-ministro aponta obstáculos à moeda única do Mercosul
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Jair Rattner, especial para a AE 
Lisboa, 11 (AE) - O ex-ministro das Finanças português e antigo responsável pelas negociações para a entrada de Portugal na Comunidade Européia considera curto o prazo de cinco anos determinado pelos presidentes do Brasil e da Argentina para a instituição da moeda única. "O euro é um processo que durou de 1960 até 1999, antes de começar a ser utilizado. São mais de três décadas", disse hoje em Lisboa.
Segundo Lopes, a condição para a moeda única é a realização das metas estabelecidas em Maastricht: controle e igualdade da inflação nos países participantes, equiparação das taxas de juros, estabilidade cambial, controle da dívida pública e o fim do déficit do setor público administrativo. "No Brasil existe mais uma dificuldade para a convergência nominal, porque o país tem que estar atento não apenas ao déficit federal, mas também ao dos estados e municípios".
Ele considera que os critérios de convergência nominal são parâmetros da boa gestão das contas públicas. "É um esforço brutal alcançar estas metas. Nas economias européias, a convergência nominal demorou quase uma década". Caso não seja realizado esse esforço, as economias dos dois países poderão entrar em colapso. "O risco é de ter uma economia tão distorcida que as empresas não aguentem, o que pode gerar um desemprego incontrolável. Foi o caso da Alemanha Oriental, em que ocorreu a união monetária, mas as empresas não estavam preparadas para condições para as quais a economia não tinha convergido".
Para Lopes, no caso de não se conseguirem cumprir esses critérios, a tendência é todo o capital convergir para as regiões mais adiantadas. "A liquidez da economia vai para onde é bem aproveitada, onde as empresas mais eficientes têm maiores possibilidades de tirarem partido delas".
Ele lembrou que atualmente a Europa está na segunda tentativa de implantação da moeda única. "Em 1972, a reunião de chefes de Estado e de governo de Paris da Comunidade Européia decidiu realizar a união econômica e monetária em 1980. Mas isso não aconteceu, por causa da crise do petróleo, que bloqueou o funcionamento da Comunidade em termos de passagem à união monetária".


