Ex-militar argentino denuncia sequestro de bebês
Buenos Aires, 24 (AE-REUTERS) - Um ex-chefe do hospital militar argentino reconheceu que houve ordens escritas sobre o tratamento das grávidas e dos detidos nos centros clandestinos durante a ditadura (1976-83).
O ex-médico militar Julio Caserotto afirmou diante do juiz federal Adolfo Bagnasco, que investiga o sequestro de menores nascidos em cativeiro, que existiu um plano escrito sobre o tratamento que deveria ser aplicado aos detidos.
"Ele (Caserotto) falou de uma fórmula escrita chamada PON (Procedimento de Operações Normais), que, segundo ele, deveria ser usada com os detidos. Isto incluía as grávidas", disse hoje à Reuters o secretário do juiz, Gustavo Russo.
Russo acrescentou que Caserotto admitiu ter tratado de grávidas no hospital militar, mas que sua responsabilidade se reduzia ao cumprimento de ordens de seus superiores.
Em 1976, depois de um Golpe de Estado, uma junta militar instaurou um sangrento regime de perseguições e torturas na Argentina conhecido como "guerra suja", durante o qual desapareceram entre 15.000 e 30.000 pessoas.
As mulheres detidas nos centros clandestinos desapareciam depois de dar à luz. Seus bebês eram entregues a militares e policiais, que os recebiam como próprios.
Em outros casos, os bebês eram levados a centros de adoção e, em raras ocasiões, entregues às famílias das detentas.
O grupo de direitos humanos Avós da Praça de Maio já conseguiu devolver cerca de 60 jovens a seus verdadeiros familiares.





