Ex-membros da máfia japonesa pregam o Evangelho no Recife
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 16 (AE) - Seis ex-membros da Yakuza, máfia japonesa, convertidos ao Evangelho, iniciam amanhã (17) uma série de palestras em escolas, presídios e igrejas, testemunhando que o crime não compensa. O líder do grupo, Hiroyuki Suzuki, 44 anos, pastor da Igreja Evangélica de Siloé, contou que a Yakuza tem envolvimento com drogas, prostituição e jogos ilícitos. Segundo ele, a máfia já se espalhou por todo o Japão e tem tanto poder que a polícia não ousa enfrentá-la.
Todos os seis tiveram um pedaço do dedo mínimo cortado. Tatuagens no peito e costas representam o domínio da organização criminosa sobre a sociedade e a submissão deles à Yakuza - exigências que têm de ser cumpridas por quem quer entrar na máfia japonesa. Suzuki disse que todos que saem da organização, inclusive eles, são perseguidos e pressionados. "Sabemos que podemos morrer a qualquer momento", disse Yoshiro Takahara, 54 anos, o mais velho do grupo e o que mais tempo passou na Yakuza - 20 anos.
Eles abandonaram a organização pelos mesmos motivos que os levaram a integrá-la: o dinheiro e o poder. "Era uma vida muito díficil em que tínhamos muito dinheiro, mas éramos pressionados a fazer muito dinheiro", disse Takahara. Evangelho - Hoje, eles pregam o Evangelho, ajudam na recuperação de drogados e criminosos e tentam mostrar, com os seus exemplos de vida, que a paz e a alegria não estão ligadas ao dinheiro e à violência. Os religiosos, que moram em Tóquio, visitam o Brasil pela primeira vez a convite do pastor César Naka, da Igreja Evagélica do Fundamento Apostólico (Iefa), que mora no Recife. Na segunda-feira eles seguem para Salvador e em seguida para o Rio, São Paulo, Mogi das Cruzes (SP) e Campinas (SP).


