Porto Alegre, 27 (AE) - O ex-líder do governo Antônio Britto (PMDB), Paulo Odone, disse hoje (27) que não vê problema ético no fato de o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), seu colega de partido, ter usado nome do presidente Fernando Henrique Cardoso na busca de votos para o candidato peemedebista na campanha no RS. Conforme gravações de uma reunião de Padilha com um grupo de empresários antes do segundo turno, quando Britto disputava a reeleição contra Olívio Dutra (PT), Padilha teria declarado que o Estado ficaria fora da agenda de Fernando Henrique se o petista vencesse a eleição. Olívio derrotou Britto por uma diferença de 87.366 votos.
"Não sejamos hipócritas. É óbvio que seria diferente para o presidente se Britto tivesse sido eleito", observou Odone, que preside a Assembléia Legislativa gaúcha. Britto é aliado político de Fernando Henrique, ao contrário de Olívio. O deputado gaúcho ressaltou, contudo, que o tratamento "político" do Planalto para o Rio Grande do Sul seria diferente caso Britto tivesse vencido, mas o tratamento "administrativo" seria igual. Além disso, Odone disse que o fato de usar o nome do presidente poderia não gerar votos para Britto, já que o Estado era mais simpático à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência. "O fato de alegar apoio de FHC não seria uma grande soma para Britto", acrescentou Odone. Lula ganhou de Fernando Henrique por uma diferença de 433 mil votos no Estado.
Para o deputado gaúcho, Padilha foi "coerente", pois o próprio Britto fazia campanha aberta por Fernando Henrique e o presidente também manifestava sua preferência. "Se ele ameaçou que programas seriam suspensos, aí é outra coisa", disse Odone.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Lima Godoy, não foi encontrado para falar sobre o assunto. As declarações de Padilha foram registradas em reunião na entidade antes do segundo turno da eleição.

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