Ex-líder acusado de estuprar portadora do HIV
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de abril de 2006
Folhapress 
São Paulo- Acusado de estuprar uma portadora do HIV, o ex-vice-presidente da África do Sul Jacob Zuma disse em depoimento ontem que tomou uma ducha após a relação sexual com a intenção de diminuir a chance de contrair o vírus causador da Aids. Zuma alegou que o sexo com a mulher de 31 anos foi consensual e causou furor com sua opinião de que o banho era ''uma das coisas que minimizariam o contato com a doença''.
Zuma, exonerado em 2005 por suspeita de corrupção, já liderou o Conselho Nacional da Aids, responsável por campanhas de combate à síndrome que mata cerca de mil pessoas por dia no país. A África do Sul tem a maior população infectada do mundo, cerca de 6 milhões de pessoas.
''Ele passa aos jovens a impressão muito errada de que no sexo sem proteção os riscos são pequenos'', disse Nokhwezi Hoboyi, uma porta-voz da Campanha de Ação no Tratamento.
''A única coisa que sabemos que protege na relação com uma pessoa HIV-positiva é o uso correto e contínuo da camisinha'', lembrou Helen Rees, da Universidade do Witwatersrand, acrescentando: ''É crítico que pessoas em posição de liderança apóiem essa mensagem''.
As frases podem parecer óbvias, mas são urgentes no país. O próprio presidente Thabo Mbeki pôs em dúvida a relação entre o HIV e a Aids, além de dizer que nunca conheceu ninguém que tenha morrido vítima do vírus.
Em pesquisa feita em 2005 pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas, 66% das pessoas não se consideravam sob risco de infecção -mais da metade dos que tiveram teste positivo para HIV responderam assim.
Há ainda a resistência cultural ao preservativo: ''Não se come banana com casca'', disse uma mãe de quatro filhos que se uniu diante do tribunal a outros que dizem que a acusação de estupro é parte de um plano político.


