Ex-ilhéus não querem mais ser bóias-frias
O discurso entre os sem-terra que já foram moradores de Ilha Grande é muito parecido. Eles reclamam da falta de indenização, sentem saudades de quando tinham suas próprias áreas e se queixam da vida atual de bóia-fria. ''A gente tinha de tudo. Agora, o dia que não tem trabalho, não temos nem o que comer'', conta Madalena Pereira de Oliveira, 44 anos, que morou na ilha durante 19 anos. ''Tive que sair e não recebi nenhum tostão.''
Os irmãos Antônio de Souza, 51 anos, Sirlene, 49 anos, e Aparecida, 48 anos, também se dizem desanimados com a vida de bóia-fria. ''Antes, tínhamos um gadinho e leite para as crianças. Agora, se a gente precisar comprar um litro de leite para um filho, não temos dinheiro'', frisa Sirlene. No acampamento em que estavam, na fazenda Santa Filomena, em Vila Alta, os três irmãos não tinham nem lona para terminar de montar o barraco.
''Tive meus quatro filhos na ilha, mas não tinha documento de posse e fiquei sei nada'', lamenta Aparecida. ''Agora quero ver se consigo um pedacinho de terra.'' O viúvo Domingo Alves Miranda, 63 anos, é outro ex-ilhéu que vive como bóia-fria desde que deixou a ilha, onde viveu por oito anos. ''Vontade de trabalhar a gente tem, mas falta a terra'', ressalta. Miranda mora num barrraco junto com três filhos.





