No próximo dia 30 vai completar 13 anos que Luiz Viola está fora de suas terras. Ele era proprietário de uma das 300 ilhas que atualmente compõe o Parque Nacional de Ilha Grande e Área de Preservação Ambiental. Na mesma situação estão outros 13 mil habitantes, que em sua maioria já ocupavam o local há muito tempo e em 1960 tiveram a situação regularizada pelo Incra. Após vários anos vivendo e produzindo nas ilhas do Rio Paraná, muitos perderam a documentação que comprova a propriedade da terra.
No ano de 1997 foi criado o Parque Nacional de Ilha Grande, que abrange várias destas ilhas e se estende por 150 quilômetros do Rio Paraná. Outra parte foi transformada em Área de Preservação Permanente. Na época, os moradores das ilhas foram retirados à força de suas terras, como explica Luiz Viola. ''Ficamos com medo de ficar porque vimos vários moradores da região sendo ameaçados e até presos injustamente. Por conta disso, todos acabaram obedecendo a ordem e desocuparam as terras'', relata.
A determinação de deixar as ilhas partiu do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) e o cumprimento foi verificado por fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e por equipes da Polícia Ambiental. ''Nesta época a maioria dos ilhéus não tinha a documentação oficial que comprovava a posse das áreas, tinha apenas a cadeia dominial, que são os documentos passados de um proprietário para o outro na hora da venda das terras. Hoje grande parte está com esta documentação em mãos'', disse Viola.
Nem antes da criação do parque nem durante este tempo foi realizada alguma audiência pública para apresentar aos moradores a proposta do governo e até agora nenhum deles foi indenizado. Este é o maior objetivo do grupo, que em 2002 criou a Associação dos Ilhéus Atingidos pelo Parque Nacional de Ilha Grande e Área de Preservação Ambiental.
Nos últimos dias 18 e 19 de setembro, o grupo acampou em frente ao Palácio das Araucárias, em Curitiba, e chegou a lavar a escadaria da Assembleia Legislativa. De acordo com Viola, eles foram em busca do apoio do governo do Paraná. ''Entregamos para o major Mauricio Genero, que trabalha no gabinete do governador, um projeto de lei. Queremos que isto seja apresentado aos deputados e que a nossa indenização se torne lei. O major nos disse que vai apresentar o projeto na Assembleia Legislativa para avaliação dos deputados'', afirma o advogado da Associação, Dorival Dilda.
No próximo dia 26 de setembro, os ilhéus vão se reunir na cidade de Porto Rico (PR) para entregar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a documentação que comprova a regularização fundiária das terras. Os documentos são importantes, já que os ilhéus entraram com um processo pedindo o usocapião da área. Por conta da briga judicial, o parque não foi oficialmente criado até agora, e enquanto estas questões não chegarem ao fim nada poderá ser feito.

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