Preso há um ano e dois meses pela morte de três pessoas, o ex-guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, 39 anos, foi condenado a mais de seis meses de prisão em regime aberto pelos crimes de desobediência, perturbação do sossego e vias de fato cometidos contra Rachel Espinosa, com quem manteve um relacionamento amoroso entre o final de 2014 e maio de 2016. Ela perdeu o filho de 17 anos e o pai, Valdir Siena, 58, assassinados a tiros por Felippe na casa da família, zona oeste. Outra vítima foi a empresária Ana Regina do Nascimento Ferreira, 34, sócia de outra ex-companheira. Estas acusações serão apreciadas em um júri popular, ainda sem data certa para acontecer.

Imagem ilustrativa da imagem Ex-guarda que matou três em Londrina é condenado pela primeira vez
| Foto: Arquivo FOLHA


Na sentença proferida nesta quarta-feira (18), a juíza da 6ª Vara Criminal, Zilda Romero, também determinou que o réu pague um salário mínimo como indenização por danos morais. A decisão em nada altera a detenção preventiva de Felippe, que foi mantida. Ele está na PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina), no conjunto Cafezal, região sul. O despacho traz ainda detalhes do conflituoso namoro, como as agressões do ex-servidor municipal praticadas perto de um bar na rua Ponta Grossa e do Estádio do Café.

Em uma das situações, Ricardo Felippe teria desferido diversos tapas na cabeça e puxado o cabelo de Rachel, que procurou atendimento médico. Para o Ministério Público, ele exigiu que a então namorada omitisse a origem dos ferimentos aos plantonistas. Ela informou que havia se machucado enquanto se exercitava. Quando os dois terminaram o namoro, o ex-guarda teria insistido em reatar com Rachel, pra quem enviou diversas mensagens pelo WhatsApp. Depois de ser bloqueado, recorreu aos e-mails, onde também não teria economizado nos xingamentos e provocações.

O advogado Fabrício Almeida Carraro, que defende Felippe, preferiu não comentar a sentença porque ainda não tinha sido intimado. Já o advogado Marcelo Aparecido Camargo, responsável pela defesa de Rachel Espinosa, cogita a apresentação de um recurso para tentar aumentar a pena, mas considerou a sentença como satisfatória. "A juíza o condenou em todos os crimes narrados na denúncia, que servirão de base para o júri", afirmou.

Tragédia

Ricardo Leandro Felippe foi demitido da Guarda Municipal em dezembro de 2017. Alvo de um processo administrativo interno, ele estava no órgão de segurança desde 2009. Denunciado por triplo homicídio, ele fugiu para a cidade de Maracaí, no interior de São Paulo, onde foi localizado por investigadores da 10ª Subdivisão Policial (SDP) em um hotel. Em junho do ano passado, dois meses após a série de atentados, uma médica do Complexo Médico Penal de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) atestou que o réu não apresentava sinais de doença mental.

Quase um ano depois, Ricardo Felippe foi submetido a um novo teste de sanidade mental, desta vez no IML (Instituto Médico Legal) de Londrina. O perito responsável pelo exame entendeu que o acusado tinha pleno conhecimento dos atos que cometeu. Em uma das audiências realizadas na 6ª Vara Criminal, ele chegou a dizer que "não se lembrava dos crimes".

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