Brasília, 12 (AE) - A Secretaria de Segurança e o Ministério Público do Acre vão investigar o ex-governador do Estado Romildo Magalhães por suspeita de envolvimento com um grupo de extermínio supostamente liderado por Hildebrando Pascoal. A ligação seria a morte do criminoso Hélio Pinguim, que assassinou Romildo Júnior, um dos filhos de Romildo. Segundo informações passadas à Polícia Federal pelo pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, Pinguim teria sido morto a mando do ex-governador.
O inquérito foi aberto esta semana pela comissão especial criada para resolver crimes insolúveis no Estado."Já são vários os depoimentos que apontam para o envolvimento de Romildo, inclusive o de Raimundinho", afirmou a secretária de Segurança do Estado, Salete Maia.
Nenhum inquérito foi instaurado até hoje para apurar a morte de Romildo Júnior e a de Pinguim. No início da semana, seguindo orientações dadas nos depoimentos pelo pistoleiro, a PF localizou dois corpos num cemitério clandestino na Vila Calafate
a 20 quilômetros de Rio Branco. Um deles seria de Pinguim e o outro de um marginal criminoso por Laranja.
A polícia espera apenas o resultado do exame de DNA que está sendo feito em Brasília para poder colher o depoimento de Romildo. "Se um matador profissional faz este tipo de declaração, é claro que temos de investigar", disse Salete. Segundo ela, o caso está sendo investigado em conjunto entre a Polícia Civil, Procuradoria da Justiça do Estado e Ministério Público Federal, que formam a comissão especial.
Romildo, segundo o Ministério Público do Acre, deverá ser ouvido na próxima semana, quando chegar o resultado dos exames. Mas, para a polícia e Ministério Público, não há dúvida de que um dos corpos é de Pinguim, já que a indicação do local das ossadas foi dada por Raimundinho, que também teria participado da morte dos criminosos. No primeiro depoimento, na PF, o pistoleiro relatou diversos crimes que teriam sido praticados pelo grupo de extermínio ligado a Hildebrando mas, ao ser ouvido na Justiça, ele negou tudo.
Romildo Junior foi assassinado em junho de 1996 na residência de seu pai, no Haras Cinco Irmãos, supostamente numa tentativa de assalto. Alguns dias depois, Pinguim e outro marginal conhecido por Rambo foram presos, mas Pinguim fugiu pouco depois da cadeia e desapareceu. Segundo informações da PF, ele teria sido morto pelo grupo de Hildebrando.
"Alguns nomes são de pessoas que estão sendo acusadas agora de integrar o esquadrão da morte do Acre", informou um delegado. O sargento Alex Fernandes Barros, braço-direito de Hildebranco, e que está preso em Brasília, também pode estar envolvido neste crime. Raimundinho chegou a admitir na PF que ele mesmo estaria entre os assassinos. No mesmo local onde Pinguim foi enterrado, integrantes da CPI do Narcotráfico encontraram outro cemitério clandestino, em setembro deste ano, durante a visita feita ao Acre. As informações sobre a existência de corpos no local foram dadas por uma testemunha ligada à suposta quadrilha de Hildetrando. No cemitério foi encontrada uma ossada, apesar de o informante ter dito que havia pelo menos mais oito corpos.

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