Ex-governador reforça inocência, mas não revela estratégia de defesa
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Flávio Mello 
Rio Branco, 26 (AE) - O ex-governador do Acre Romildo Magalhães disse hoje que a decisão sobre a proposta de colaboração nas investigações da morte do assaltante Hélio da Silva, o Hélio Pinguim, feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) ao seu filho, Shelton, será tomada entre o acusado e o advogado Euclides Bastos. "Somos inocentes, a morte desse cidadão não nos interressava porque não traria nosso filho de volta, mas isso que você quer saber é com o nosso advogado", afirmou hoje Magalhães.
Ontem (25), o depoimento foi transformado numa conversa informal. Shelton negou qualquer participação com o crime ocorrido em 1995 e recebeu uma proposta do MPE, depois de ser informado pelo promotor Eliseu Buchemeier de que quatro de seis depoimentos o apontam como autor de dois disparos, sendo que o segundo foi o derradeiro.
Em troca da colaboração nas investigações e do esclarecimento do assassinato de Hugo Pinguim, Shelton confessaria o crime e teria uma redução de até dois terços da pena e responderia o processo em liberdade - o pedido de prisão preventiva já está rascunhado no computado da promotoria estadual.
Bastos foi procurado hoje várias vezes pela reportagem por meio do seu telefone celular e em seu escritório, mas não foi localizado.
Shelton, que tem 26 anos, é acusado de ser o executor do assaltante Hélio da Silva, o Pinguim. Ele matou o irmão de Shelton depois de assaltar o Haras Cinco Irmãos. À época, Romildo Magalhães Filho tinha 16 anos de idade. O cadáver de Pinguim ainda não foi reconhecido oficialmente porque o exame cadavérico não foi concluído pela perícia. O assassinato ocorreu em 1995 porque a vítima matou o filho mais novo de Magalhães, depois de assaltar o Haras Cinco Irmãos, que pertence à família Magalhães.
A ligação com o crime organizado e o narcotráfico, que segundo os policiais federais e promotores eram liderados pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal - que responde a vários processos criminais em todas as esferas judiciais e está preso em Brasília - aumentou no início do mês.
Em depoimento à Justiça Federal do Acre, o pistoleiro e uma das principais testemunhas de acusação de Pascoal, Raimundo Alves Barros, o Raimundinho, indicou o local onde o corpo de Pinguim teria sido enterrado. Em diligência, agentes da PF encontraram duas ossadas no local indicado - o cemitério clandestino no bairro do Calafati, distante cerca de 20 quilômetros do centro da cidade.
Uma das ossadas estava com as mãos amarradas e a outra, com uma corda no pescoço. De acordo com os policiais federais, o fato pode indicar que as vítimas foram torturadas e arrastadas até o local antes de serem executadas. O exame das ossadas ainda não foi concluído. A dificuldade existe porque nenhum membro da família de Pinguim teria sido localizada até o momento para comparar o DNA.


