Ex-governador confirma que Badan recebeu paraa forjar laudo
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques e Ricardo Rodrigues 
Maceió, 09 (AE) - O ex-governador de Alagoas Geraldo Bulhões confirmou hoje à CPI do Narcotráfico declaração dada minutos antes pelo médico-legista Georges Sanguinetti, de que o legista Badan Palhares teria recebido R$ 400 mil para forjar o laudo da morte de Paulo César Farias, o PC Farias, e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996. Segundo os parlamentares da CPI, a quebra de sigilo de Badan comprova movimentação bancária neste montante, na mesma época.
Sanguinetti, que na época contestou o laudo de Badan, disse ainda ter sido alvo de uma trama em que o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante o eliminaria, a pedido do deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC, que defendia a tese de Badan, de crime passional. O ex-tenente-coronel negou a versão do legista e disse que Sanguinetti está querendo apoio político do ex-governador Divaldo Suruagy, que assumiria a vaga de Augusto se este caísse.
Os parlamentares, no entanto, estão convictos de que as duas histórias apresentadas pelo legista alagoano são verdadeiras. "Depois do depoimento do ex-governador", disse o deputado Éber Silva (PDT-RJ), "por dedução constatamos que quem está com a verdade é o legista Sanguinetti."
O legista alagoano disse que decidiu "quebrar confidências de conversas informais" quando a CPI chegou a Alagoas, já com vários indícios de que Badan Palhares estaria vendendo laudos de interesse do crime organizado, denúncias que surgiram nos últimos meses. Segundo o legista, Bulhões fez a confidência sobre os R$ 400 mil pagos a Badan no início do ano passado, durante um encontro na residência do ex-governador. "O dinheiro foi entregue a Badan Palhares em uma pasta", confirmou Sanguinetti, após o depoimento.
Bulhões apresentou à CPI do Narcotráfico o nome da pessoa que lhe passou a informação sobre a venda do laudo. Disse que custou US$ 400 mil, mas que foram pagos em reais - na época as moedas tinham valor equiparado. A CPI decidiu não informar o nome da pessoa, até que seja convocada para confirmar a história. "Não vamos revelar o nome porque o depoimento do ex-governador foi tomado sob sigilo", disse Robson Tuma (PFL-SP).
Trama - Sanguinetti disse ter recebido do próprio Cavalcante a notícia de que Augusto Farias tinha montado uma trama para matá-lo, durante uma visita ao presídio de segurança máxima de Alagoas, onde o ex-tenente-coronel cumpre pena por envolvimento com a chamada gangue-fardada. O advogado Elias Barros Dias foi ao presídio com o legista e confirmou a história perante a CPI do Narcotráfico. "Quem encomendou o assassinato foi o deputado Augusto Farias", disse o advogado. Foi feita acareação entre Sanguinetti, Cavalcante e o advogado.
Segurança - A CPI está apurando suposta ligação de Augusto Farias com a lavagem de dinheiro e o contrabando de armas envolvendo a empresa Tigre Vigilância Patrimonial de Alagoas Ltda. A empresa, que oficialmente está em nome de Marcos André Tenório Maia, aparece na lista telefônica de Maceió com o mesmo endereço e o mesmo número de telefone da casa de Augusto Farias.
Pelas informações colhidas até o momento pela CPI, o delegado da Polícia Civil Cícero Torres, responsável pelo primeiro inquérito da morte de PC Farias, que também sustentou a tese do crime passional e atualmente responde a processo por contrabando internacional de armas, também estaria envolvido com o crime organizado em Alagoas.
As críticas feitas por parlamentares ao governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), por não ter dado apoio à CPI, foram hoje engrossadas por aliados do governo na Assembléia Legislativa. O líder do PT, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, disse que Lessa pouco se empenhou em receber a CPI. O parlamentar acha que a solução para o crime organizado em Alagoas deve vir de fora, da área federal. "O governador ganhou o governo mas não tem o poder no Estado", disse Paulão. "Onde as forças conservadoras dominam."
A CPI ouvirá no início da noite os deputados estaduais Antônio Albuquerque (PRTB) e João Beltrão (PMDB), por suposto envolvimento com o crime organizado no Estado. Beltrão é acusado de receptação de carretas e ainda de ter participado do assassinato do bancário Dimas Holanda. A denúncia envolve ainda o ex-governador Manoel Gomes de Barros.


