Ex-governador alertou a TAM sobre o risco de acidente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- E-mail encaminhado pelo ex-governador do Paraná, Mário Pereira, ao presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, em 13 de fevereiro deste ano, retransmitia a preocupação de um comandante da companhia aérea em pousar no Aeroporto de Congonhas em dias chuvosos. O ''desabafo'' do piloto experiente aconteceu depois de um vôo tumultuado que saiu de Florianópolis e chegou a São Paulo com mais de três horas de atraso.
Pereira conta que desceu do avião junto do comandante e que ao reclamar dos transtornos da viagem foi surpreendido com a declaração sobre a falta de segurança no aeroporto mais movimentado do País. ''Apesar de ter 16 mil horas de vôo fico desesperado quando tenho que pousar em Congonhas com chuva. Devem estar esperando acontecer uma tragédia, com a morte de 180 passageiros, para aí reformar a pista. Fico arrepiado só em falar'', relatou Pereira, no e-mail ao presidente da TAM, repetindo o que ouviu do piloto.
Indignado com a gravidade da declaração, Pereira que faz, pelo menos, dois vôos por semana, encaminhou a carta por e-mail e cópias para a Procuradoria Geral da República e ao ministro da Defesa, Waldir Pires. ''Senhor presidente, para não poder alegar desconhecimento, serve o presente e-mail para responsabilizá-lo pessoalmente por qualquer acidente que porventura venha a ocorrer com um avião da TAM no Aeroporto de Congonhas em dia de chuva. Como o senhor sabe dos riscos a que nos está submetendo, ao autorizar o pouso de aviões da companhia que o senhor preside, em situação descrita pelo seu funcionário (experiente piloto), essa responsabilização é por crime doloso. Aliás, dada a gravidade, lamento dizer, penso tratar-se de crime hediondo'', dizia outro trecho da carta.
Pereira disse que recebeu resposta da TAM no dia 28 de fevereiro, em que a empresa afirmava ter tentado contato telefônico para esclarecer dúvidas e que a responsabilidade pela liberação de pousos em Congonhas é do Ministério da Aeronáutica. No e-mail, o ex-governador já adiantava que responsabilizar o governo seria ''infantil e atrasado escapismo''. ''É muito fácil para a TAM colocar a culpa de que a pista não é boa. A responsabilidade é dela sim. Eu não compro passagem da Infraero ou do presidente Lula'', criticou.


