Ao lado do advogado Lúcio Adolfo e da esposa, o goleiro Bruno Fernandes deixou o Centro de Reintegração Social da Apac, em Santa Luzia, no início da noite desta sexta-feira
Ao lado do advogado Lúcio Adolfo e da esposa, o goleiro Bruno Fernandes deixou o Centro de Reintegração Social da Apac, em Santa Luzia, no início da noite desta sexta-feira | Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia/Estadão Conte



Belo Horizonte - O ex-goleiro Bruno deixou, por volta das 19h30 desta sexta-feira (24), a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Santa Luzia, na Grande Belo Horizonte, onde cumpria pena de 22 anos e três meses de prisão pelo sequestro, assassinato e ocultação de cadáver de Eliza Samúdio, com quem teve um filho. A defesa do jogador conseguiu no último dia 21 habeas corpus para que o atleta fosse libertado.

A decisão partiu do ministro Marco Aurélio Mello. No pedido de habeas corpus, a defesa de Bruno alega que o jogador, preso há quase sete anos, não teve analisado, até o momento, recurso contra seu julgamento, ocorrido em 2013, pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Bruno deixou a Apac com a mulher, Ingrid Calheiros, e advogados.

Na decisão, o ministro afirma que "a esta altura, sem culpa formada, o paciente está preso há seis anos e sete meses" e que "nada, absolutamente nada, justifica tal fato. A complexidade do processo pode conduzir ao atraso na apreciação da apelação, mas jamais à projeção, no tempo, de custódia que se tem com a natureza de provisória".

O ex-goleiro deixou a prisão sem falar com a imprensa, acompanhado de sua mulher, Ingrid Calheiros, e dos advogados Lúcio Adolfo e Luan Veloso. O TJ-MG foi questionado pela reportagem, mas não respondeu sobre as razões para a demora na análise do caso.

O advogado Lúcio Adolfo disse que Bruno já recebeu propostas de quatro clubes do Brasil e uma do exterior. O advogado não quis dar detalhes, apenas informou que um clube é de Minas, outro de São Paulo e dois estão na primeira divisão. "Tem time que quer o Bruno já disputando o campeonato estadual", afirmou.

Bruno havia conhecido Eliza Samúdio em 2009 e, meses depois, ela ficou grávida. Segundo a Promotoria, ao tomar conhecimento da gestação, o então goleiro "propôs um acordo financeiro" para que Eliza abortasse o feto. Com a recusa, Bruno passou a arcar com algumas despesas de Eliza, mas chegou a ameaçá-la de morte.

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