Ex-GM era 'plenamente capaz de entender seus atos', diz perícia
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quinta-feira, 12 de abril de 2018
Luís Fernando Wiltemburg e Fernanda Chircia<br>Reportagem Local 

O laudo do exame psiquiátrico do ex-guarda civil municipal Ricardo Leandro Felippe, acusado de matar três pessoas em abril de 2017, reafirma que ele estava ciente das consequências de seus atos quando praticou os ataques. O documento foi expedido pelo médico legista e perito Carlos Alberto Peixoto Baptista no dia 23 de março e atesta que o acusado sofre de transtorno bipolar afetivo e estresse excessivo, mas que a condição não seria determinante para a violência.
Este é o segundo laudo apontando que Felippe sabia o que estava fazendo quando disparou contra a amiga de uma ex-namorada, contra outra ex-companheira e os parentes dela.
No laudo atual, ao responder perguntas formuladas pelo promotor de Justiça Ronaldo Costa Braga, Felippe seria inteiramente capaz de compreender o caráter ilícito de suas ações e de determinar-se de acordo com este entendimento. O perito também informou que há "elevado risco" de repetir os comportamentos violentos. Respostas semelhantes foram dadas também a questionamentos da defesa do acusado.
A primeira avaliação mental de Felippe foi emitida em junho do ano passado, assinada por médica do CMP (Complexo Médico-Penal) em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde está detido. Naquele documento, a perita afirma que o ex-guarda civil não apresentava, "no momento", sinais de doença mental. "Trata-se de indivíduo com traços dissociais que no momento é plenamente capaz de entender seus atos e responsabilizar-se por eles", descreve o documento.
Conforme o advogado da família das vítimas, Marcelo Aparecido Camargo, o resultado já era o esperado. "O Código Penal estabelece que para a pessoa ser isenta de pena, tem que ser 'absolutamente incapaz'. Tem que ser declarado pelo psiquiatra 'absolutamente incapaz'. E o laudo nos quesitos feitos pela própria defesa, é muito claro. Em todos os quesitos, o laudo responde que o réu Ricardo é 'absolutamente capaz' de entender que o ato que praticou é ilícito."
"É exatamente isso que a gente esperava. A imputabilidade para ele, pela segunda vez, não é cabível. Estamos tranquilos e confiantes. Confirmou o que o primeiro laudo havia estabelecido", acrescenta.
Em nota, a defesa do ex-guarda civil afirmou que não foi intimada e que "vai se manifestar nos autos, se e conforme o caso".
Em 3 abril de 2017, Ricardo Felippe matou Ana Regina do Nascimento, sócia de sua então namorada, que seria seu alvo inicial. Em seguida, com o carro roubado da vítima, dirigiu-se para a casa de Rachel Espinosa, sua ex-companheira, e atirou contra várias pessoas. O filho dela, de 17 anos, morreu na hora e o pai dela, socorrido com vida, não resistiu aos ferimentos e morreu dias depois.
Após os disparos, o ex-guarda civil fugiu. Ele foi preso em Maracaí, interior do Estado de São Paulo.


