Ex-funcionários da Usoil dizem que foram punidos
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sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Funcionários demitidos no começo do mês da Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil), também conhecida como educandário, afirmaram, ontem, que as demissões foram punitivas. A pedagoga Daniella Fioruci Carvatti, a psicóloga Ana Maria Góes e o educador Valdir da Silva foram dispensados do trabalho na instituição, junto com outras 4 pessoas, entre o dia 6 de setembro e a última quarta-feira. Outros dois funcionários pediram demissão no período.
Daniella, Ana Maria e Valdir garantiram que foram demitidos porque discordaram da metodologia de trabalho adotada. Eles se reuniram ontem para relatar à imprensa os abusos que julgam acontecer dentro da instituição. Eles apresentaram um documento que foi enviado ao Ministério Público e outras entidades sobre a possível retaliação e as condições inadequadas de funcionamento da Usoil.
Segundo os ex-funcionários, eles eram impedidos de trabalhar por causa de excessos da equipe de segurança. ''A situação era de reclusão cada vez maior. Os adolescentes foram impedidos de tomar banho, comer no refeitório e participar de atividades por dificuldade de tirá-los da cela'', disse Valdir. Ana Maria acrescentou que as medidas punitivas por indisciplina eram todas baseadas em privação de liberdade dentro da instituição.
Ela contou que as medidas incluíam restrição de alimentos, roupas, atendimento médico, objetos pessoais, produtos de higiene e até fotos da família. ''Sei que implementar o Estatuto da Criança e do Adolescente é difícil, mas o que acontece lá é desumano'', criticou.
Sobre a informação de que alguns educadores bateram nos internos, divulgada anteontem pela conselheira tutelar Rita Bastos após visita à unidade, Ana Maria disse que ''se não aconteceu, é bem possível que aconteça, porque a pressão para manter a ordem é muito grande''. Para os ex-funcionários, é impossível segurar os adolescentes com palavras quando as paredes são frágeis.
O diretor geral da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Emerson Nerone, afirmou que as demissões resultam de mau desempenho das funções por parte dos funcionários. ''A decisão foi técnica'', disse. Ele negou que a direção da unidade tome medidas punitivas como as relatadas pelos demitidos.
Questionado pela Folha sobre o problema, o secretário Padre Roque Zimermann afirmou: ''O educandário (Usoil) não é o que queremos realmente. Analisamos e vimos coisas inaceitáveis''. Segundo ele, os funcionários foram bem preparados para o trabalho. ''Mas na teoria é uma coisa. Na prática é que eles vão ganhar formação de verdade.''
Sobre uma possível solução, o secretário respondeu: ''Se tivéssemos 40 dias de paz conseguiríamos resolver o problema de Londrina. Mas a imprensa fica rondando o local todos os dias e é claro que os adolescentes percebem. E isso atrapalha.''(Com sucursal de Curitiba)


