Bauru, SP, 13 (AE) - O delegado Dinair José da Silva, do 3º Distrito Policial de Bauru (SP), indiciou, ontem, Ricardo Cerqueira Palmeiro no inquérito que apura o desvio de passes de ônibus da Fundação para o Estudo de Tratamento de Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf). A entidade funciona dentro do Hospital de Recuperação de Lesões Labio-Palatais da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru. Palmeiro, ex-funcionário da fundação, demitido durante a sindicância aberta no hospital, coordenava o órgão cujos funcionários e pacientes seriam os beneficiados pela distribuição das passagens. Ele deve responder por apropriação indébita, corrupção de menores e falsidade ideológica. Ooutras cinco pessoas estão sendo investigadas pela polícia.
"O Ricardo não conseguiria ter feito tudo sozinho e, por isso, estamos coletando provas do envolvimento dos demais participantes para nominá-los", explicou, hoje, o delegado. De acordo com as investigações, Palmeiro teria sido o responsável pelas inscrições de um curso de libra (linguagem dos sinais para surdo-mudos), no ano passado, e depositado apenas parte da arrecadação na conta da Funcraf. Além disso, o professor responsável não teria recebido o valor combinado. Também está sendo apurado o desvio da verba de ajuda social a decifientes contratados pela fundação. Passagens - O "escândalo das passagens", como ficou conhecido, foi descoberto em novembro passado quando o vereador José Carlos Pereira Batata (PT) adquiriu, em uma loja de fliperama, 1.800 passagens de ônibus vendidas com desconto de R$ 0,10 a unidade - o preço normal é R$ 0,80. As passagens faziam parte de um lote adquirido pela Funcraf para distribuição a pacientes e funcionários.
O cheque dado pelo vereador foi rastreado e um caixa do Banco do Brasil acabou reconhecendo Palmeiro. Depois, foi descoberto que a planilha de distribuição de passagens era falsificada e até uma criança de 9 anos, portadora de deficiência mental, "assinou" a lista mediante a colocação de seu polegar. As famílias de outros pacientes cujos nomes constavam da lista surpreenderam-se ao saber que eram beneficiárias, já que não recebiam as passagens.
O delegado Dinair Silva já ouviu mais de cem pessoas e agora aguarda informações contáveis da Funcraf para fazer o confronto com peças que coletou no decorrer das investigações. Hoje foram ouvidos funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru, responsável pelo serviço de ônibus e que vendia as passagens para a Funcraf. Paralelamente à polícia, a direção do Hospital de Recuperação de Lesões Lábio-Palatais realizou uma sindicância interna, concluída há quase um mês, mas não divulgou os resultados. Desde o início, quando se nome surgiu como suspeito de envolvimento no caso, Palmeiro tem se negado a falar com a imprensa.

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