Curitiba - O autônomo Mércio Eliano Barbosa, 28 anos, forjou a própria morte -com direito a velório e enterro-, na tentativa de receber o seguro de vida no valor de US$ 1,6 milhão. Duas apólices foram adquiridas de uma empresa nos Estados Unidos, onde morava com a mulher. Ele e outras três pessoas estão presas acusadas de envolvimento, entre os quais, um ex-funcionário do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba, o papiloscopista João Alcione Cavalli, que teria ''vendido'' o cadáver, que foi enterrado no lugar de Barbosa, por R$ 30 mil. Ele foi preso na manhã de ontem.
As investigações do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) começaram a partir do contato da própria seguradora, que desconfiou da suposta morte de Barbosa, em julho do ano passado. Uma das pistas que levou à prisão do grupo veio de um site de relacionamentos. Barbosa teria deixado recados em comunidades do Orkut, buscando informações sobre como conseguiria um atestado de óbito falso, e passou a fazer contatos com Cavalli. Policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), responsável pelas investigações, usaram o mesmo artifício para prender o golpista: marcaram um encontro pela internet, usando a foto de uma mulher como isca.
Barbosa foi preso, na última sexta-feira, em Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), junto de sua irmã, Daiana Barbosa, 20 anos, que teria participado do golpe, fazendo o reconhecimento do corpo no IML, como sendo de seu irmão. A quarta pessoa presa, em São José da Boa Vista (136 km ao sul de Jacarezinho), também, na sexta-feira, é Cristian Gean José de Andrade, 30 anos, que teria emprestado o nome para Barbosa comprar o consórcio de uma caminhonete Blazer, no valor de R$ 130 mil. A mulher de Barbosa, que continua nos Estados Unidos, também, deverá ser investigada.
Hoje, a polícia fará a exumação do corpo, que está enterrado no Cemitério Caminho do Céu, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, para exames que levem à sua verdadeira identificação. O cadáver, que deu entrada no IML como indigente, aparentava ter 20 anos de idade e a causa da morte foi apontada como edema pulmonar. ''Suspeitamos que o corpo seja de uma pessoa que se chamava Marcelo Alves e temos uma mãe que está requisitando o corpo'', disse o delegado do Nurce, Sérgio Sirirno, que conduziu as investigações. A polícia pedirá ao Instituto de Criminalística o confronto de DNA do cadáver com o da mulher que procura o filho.
Em coletiva na tarde de ontem, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou que há suspeita do envolvimento de outros funcionários do IML na fraude. ''Isso mostra que a intervenção no IML foi extremamente acertada. Há outras circunstâncias e fatos apurados, que envolvem não só esse tipo de absurdo, mas outras falcatruas que eram feitas'', destacou.

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