Ex-funcionário diz que Ibama sabia de crime contra animais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Agência Folha<BR>Do Rio de Janeiro 
Ex-funcionário do zoológico Bwana Park (zona oeste do Rio), o veterinário André Luiz Paiva Sena Maia disse ontem que, desde outubro do ano passado, o Ibama sabia das irregularidades cometidas no parque, onde foram encontrados 103 animais mortos na tarde de anteontem.
Em depoimento à Delegacia Móvel do Meio-Ambiente (DMMA), o veterinário afirmou que o Ibama não inspecionou o local porque alegava falta de pessoal.
O Instituto Brasileiro de Meio-Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que as denúncias do veterinário resultaram na interdição do parque em dezembro do ano passado, sendo que ele foi reaberto em fevereiro por apresentar condições adequadas para os animais.
A polícia ouviu também o antigo proprietário do parque, Eduardo Leal, e o atual, Daniel Antonine. Os depoimentos não tinham sido encerrados até às 19 horas.
Os animais mortos foram encontrados dentro de dois freezers. Dentre eles, haviam cobras, linces, araras, gaviões, cobras, jabutis, macacos e uma onça pintada. As carcaças foram levadas ontem para perícia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Para o delegado-titular da DMMA, Artur Cabral, os animais morreram de maus-tratos e inanição porque apresentavam sinais de desnutrição.
Cerca de cem animais vivos permanecem no parque, que foi interditado pelo Ibama. Os sobreviventes receberam meia tonelada de alimentos.


