Campinas, SP, 23 (AE) - A exposição ao pó de amianto do tipo que contém antofilita pode ser a causa do câncer contraído pelo ex-funcionário Leonino Pires de Godoy, que trabalhou durante sete anos em uma usina localizada no município de Itapira, a 170 quilômetros de São Paulo. Ele está sendo tratado de um tumor, que pode ser do tipo mesotelioma, há mais de um mês no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Esse tipo de tumor endurece a pleura (membrana que reveste o pulmão) e é considerado um dos mais agressivos. A suspeita da doença do ex-funcionário levou o Ministério do Trabalho a exigir a realização de exames médicos em todos os outros 48 ex-empregados da mina, desativada há 3 anos. A empresa produziu e processou o minério por 40 anos.
A doença começou a manifestar-se em dezembro do ano passado. Godoy, com 45 anos, passou por três sessões de quimioterapia e já perdeu 11 dos seus 62 quilos. "Fazia praticamente tudo lá, desde quebrar pedra até moer o amianto", disse o ex-funcionário, que trabalhou na empresa entre 1978 e 1986, mas não usava equipamento de proteção. "Apenas tomava leite pela manhã", afirmou.
Godoy, que é casado, tem seis filhos, depende de parentes e amigos para pagar as despesas médicas. "Já gastamos mais de R$ 3 mil em remédios e consultas", disse sua mulher Neusa Aparecida Tenório de Godoy, que está desempregada.
Laudo - A suspeita do tumor surgiu depois que o ex-funcionário sofreu uma intervenção cirúrgica, no ano passado, no Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. A família está aguardando o laudo do médico Ubiratan de Paula Santos, que acompanhou toda a evolução do quadro do paciente, para pedir indenização na Justiça.
O Ministério do Trabalho já autuou os ex-proprietários da empresa por não realizarem exames periódicos nos ex-funcionários, exigiu a relação de todos os ex-empregados e ainda a retirada do minério do local. A legislação determina que todos os trabalhadores que entram em contato com o amianto precisam ser submetidos a exames a cada 12 meses, durante 30 anos.
Hoje, dois dias antes de expirar o prazo dado pelo ministério, os ex-proprietários da mina começaram a retirar o amianto que estava estocado irregularmente no galpão onde funcionava a usina de processamento, no bairro rural de Ponte Preta, na Rodovia SP-147, que liga Itapira a Lindóia.
Um dos onze ex-proprietários do sítio, o vereador Dimas Salles Rocha, lamentou a doença do ex-empregado, que o considera um amigo. E disse que está tomando todas as providências legais. A usina deixou de processar amianto em grande escala há 3 anos. Existem, porém, cerca de 30 toneladas do minério armazenadas no galpão do sítio, onde residem 5 famílias, que mantêm contato quase que diário com o produto.
Políticos, advogados, sindicalistas e a população estarão debatendo o problema do amianto no município, em audiência pública que será realizada no domingo, a partir das 9 horas, na Câmara de Vereadores.

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