Rio, 13 (AE) - O ex-funcionário da empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj) Walter de Souza Braga, um dos suspeitos de ter participado da escuta telefônica clandestina no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), negou hoje, em depoimento à Polícia Federal (PF)
qualquer envolvimento no episódio. Durante as investigações, Braga foi apontado como quem pôs o grampo nos aparelhos da presidência do banco. Ele garantiu, no entanto, que não tem conhecimento técnico para isso: segundo Braga, a função dele na antiga Telerj era interna e nunca mexeu com cabos e postes telefônicos.
O nome de Braga consta do dossiê elaborado pelo ex-policial federal Célio Arêas da Rocha. O técnico é considerado dentro da comunidade de informações um especialista em escuta clandestina. Segundo fontes ligadas à investigação, ele sempre trabalhou em associação com o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abbin) Temílson de Resende, o "Telmo". O agente seria o cabeça do grupo que fez o grampo e exerceria a função de fazer contatos políticos e análises das informações. O ex-técnico da Telerj ficaria com a parte operacional.
Braga afirmou, porém, que não conhece "Telmo". Apesar de a PF estar à procura dele desde junho e ter sido dado como morto por integrantes da comunidade de informações, ele disse que mora no mesmo endereço há 17 anos. "Não sumi, nem levei surra nenhuma", garantiu. "Todo mundo na minha rua me conhece." Para o advogado de Braga, Último de Carvalho, o nome do ex-técnico surgiu por intermédio de outro ex-funcionário da Telerj, Waldeci Alves de Oliveira, que também prestou depoimento à PF. "Ele foi pressionado a dar nomes e falou o do Braga", disse.
Segundo Braga, a função dele na Telerj era a de examinador de linhas - quem, dentro da estação, checa o funcionamento da rede, em contato com os técnicos que estão na rua. Foi assim que, na versão dele, conheceu Oliveira. "Ele é que subia em poste, coisa que nunca fiz porque é preciso fazer um curso para isso", explicou. Braga foi demitido por justa causa em 1992, quando encontraram um extrato telefônico - informação sigilosa - com ele. Na versão dele, apesar de estar sozinho na sala da Estação Leme, onde o extrato foi impresso, o documento havia sido deixado lá por alguma outra pessoa.
Ele disse que ganhou na Justiça do Trabalho o direito de receber a indenização. Desempregado, foi chamado por Oliveira, que também havia saído da Telerj, para trabalhar no escritório dele. "Era uma empresa de instalação de telefones e eu fazia trabalhos de office boy", contou.
Braga disse que fazia entrega de documentos e encomendas para outro dos suspeitos do grampo no BNDES, o detetive particular Adilson Alcântara de Matos. No depoimento à polícia, Oliveira disse que Matos o havia chamado, no fim de 1997, para "puxar uma extensão" no BNDES e que recusou por achar o serviço perigoso.
Braga disse que trabalhou com Oliveira durante cerca de oito meses, quando foi dispensado. "O Waldeci disse-me que havia pouco serviço para mim e prometeu me arranjar um emprego, mas não conseguiu", afirmou. O ex-funcionário disse que vive de biscates, consertando aparelhos telefônicos e instalações em residências.

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