Ex-funcionárias denunciam irregularidades envolvendo vereadores
São paulo, 05 (AE) - As duas ex-funcionárias da Câmara Municipal, epicentro de uma história confusa e cheia de contradições, revelaram detalhes importantes à polícia, que reacenderam as investigações sobre a máfia dos fiscais. Maria Aparecida Nunes, que trabalhou no gabinete do vereador Salim Curiati Junior (PPB), e Alessandra Cruz Garcia, que foi funcionária de Maria Helena (PL), admitem que tiveram contato com Fabiano Lima, mas negam que tenham tido a intenção de matar os dois parlamentares e o chefe de gabinete de Curiati, Maurício Martins. Elas também denunciam várias supostas irregularidades administrativas envolvendo Curiati e Maria Helena.
Segundo Maria Aparecida, elas conheceram Lima no Hotel Love Story, na Bela Vista, região central. Há cerca de três semanas, elas estavam conversando sobre suas demissões, quando Lima se aproximou e começou a perguntar sobre os dois vereadores. Passando por amigo, ele chegou a pegar dois cartões de crédito de Alessandra, que estavam bloqueados, prometendo regularizá-los. Após pegar várias informações sobre possíveis irregularidades de Maria Helena, ele disse para elas que poderia conseguir algum dinheiro com a vereadora para as duas. "Eu disse que não queria nada", afirmou Alessandra. Após a conversa
as duas ficaram com medo de Lima, que assumiu que era ladrão e tinha participado de uma assalto à Caixa Econômica Federal.
Na semana seguinte, ele voltou ao hotel, onde as duas iam regularmente, aparentando um comportamento estranho. "Ele foi entrando comigo no quarto", disse Alessandra. Depois, chegou Maria Aparecida. "Ele estava muito nervoso e, como tínhamos medo de que estivesse armado, fomos concordando com tudo", disse Maria Aparecida. Daí teria surgido o diálogo gravado nas fitas. As duas denunciam várias irregularidades nos gabinetes em que trabalharam, na Câmara. Irregularidades - Maria Aparecida começou a trabalhar com Curiati logo no início do mandato do vereador, em 1997. Ela diz que, todos os meses, era obrigada a devolver parte de seu salário para Maurício Martins. "No holerite vinha cerca de R$ 4 5 mil, mas só ficava com R$ 1,2 mil". Em 1998, ela diz que se ausentou da Câmara por dois meses, para trabalhar na campanha do pai do vereador, Antonio Salim Curiati. Em outubro, após reclamar o dinheiro de suas férias, foi exonerada.
No início do ano, ela chegou a trabalhar durante dois meses no gabinete de Maria Helena. A parlamentar também é alvo de denúncias das ex-funcionárias. Segundo Alessandra, Maria Helena participava de um esquema de cobrança de propinas de camelôs na região da Freguesia do à e utilizava para fins particulares carros da empresa Vega Ambiental, responsável pela limpeza na área. Ela também teria feito indicações de funcionários fantasmas para a Anhembi. (Marcus Lopes)





