São Paulo, 02 (AE) - A assistente social da Prefeitura Sandra Maria Monte contou detalhes de como seria o supsoto esquema de venda de bancas para camelôs no centro. Ex-assessora técnica de Serviço Social da Secretaria das Administrações Regionais (SAR), ela era uma das funcionárias que servia de elo entre os ambulantes e a secretaria. No dia 20 de janeiro deste ano, foi exonerada do cargo pelo atual secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei.
Hélio Furmankiewicz e Akira Yoshikawa, presos hoje, são suspeitos de participar do esquema de venda de bancas para camelôs na região central. Também participaria do esquema o representante da empresa W.Sita José Novaes Neto, que também está preso. Hoje, o secretário de Vias Públicas e Serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli, foi ouvido pela polícia. Na época das denúncias, ele era o titular da SAR.
Segundo Sandra, na época das instalações dos bolsões de camelôs, na região central, a W.Sita instalou um escritório para venda de barracas padronizadas para os ambulantes. Ela diz que representantes da empresa estariam forçando a compra das barracas por cerca de R$ 1.250,00. Indignada, Sandra comunicou ao então secretário Mário Savelli a situação. Em seguida, foram confeccionados vários panfletos, informando que as barracas poderiam ser adquiridas de qualquer fornecedor, desde que fossem seguidos os padrões estabelecidos pela SAR.
Furmankiewicz, que também trabalhava no programa de transferência dos ambulantes, estaria ligado à W.Sita. A polícia apurou que Furmankiewicz e Akira, que era assistente de informática da SAR, receberiam 10% do total das vendas dividido entre os dois. "O Akira era importante, pois elaborava o cadastro dos ambulantes", disse Sandra.
Mesmo alertado, Savelli teria ordenado a continuação do programa, segundo Sandra. Em uma reunião realizada em novembro, Savelli decidiu afastar Sandra e outras funcionárias dos trabalhos do bolsões. Em uma fita gravada pela própria Sandra, o secretário teria dito que era melhor "tirar as meninas desse serviço sujo".
Diante das denúncias, a assistente social considera que o secretário foi, no mínimo, omisso. "Eu o alertei muitas vezes sobre o problema e ele sempre mandava dar prosseguimento, sem tomar nenhuma atitude", disse Sandra. (M.L.)

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