São Paulo, 11 (AE) - A vitória do prefeito Celso Pitta (sem partido) sobre seu pedido de imapeachment, rejeitado pela Câmara Municipal no primeiro semestre, pode ter incluído a negociação de cargos com vereadores. A ex-assessora da vereadora Maria Helena (PL), Alessandra Cruz Garcia, afirmou hoje no Instituto de Criminalística (IC), que a parlamentar ganhou três cargos importantes no Serviço Funerário Municipal após ter votado em plenário contra o pedido de abertura de uma comissão processante contra o prefeito. Segundo Alessandra, dias após a votação que rejeitou a abertura do processo, Maria Helena foi chamada ao Palácio das Indústrias pelo secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg. Na ocasião, Meinberg teria dado para ela a indicação de três cargos no Serviço Funerário: diretor financeiro, de cemitérios e do patrimônio. Para a direção de cemitérios foi indicado o ex-assessor de Maria Helena e ex-administrador regional de Santana, Almir Pinto. Segundo Alessandra, alguns meses antes do episódio envolvendo o possível afastamento do prefeito, ela foi até a Prefeitura com Maria Helena conversar com Meinberg. Nesse dia, o secretário do Governo pediu que ela entregasse vários cargos que a vereadora tinha conquistado, na Administração Regional de Santana e na Anhembi. Um dia antes da apresentação do parecer da comissão especial que analisava o pedido de impeachment contra o prefeito
Maria Helena e os outros vereadores que participaram da comissão concordaram em apresentar um parecer que recomendava a cassação do prefeito. Pela manhã, porém, a relatora da comissão, Myryam Athie (PPB), apresentou um parecer favorável a Pitta. Nervosa, Maria Helena teria dito que, para ser favorável ao prefeito, ele teria de devolver os cargos que ela havia perdido. A comissão acabou rejeitando o parecer de Myryam, por quatro votos. Entre os favoráveis à possível cassação, estavam Toninho Paiva (PFL) e a própria Maria Helena. No plenário, porém, a vereadora votou contra a abertura do processo, o que foi considerado estranho. Alessandra revelou outras coisas que podem comprometer a parlamentar, presa em flagrante na semana passada por porte ilegal de armas. Ela relembra o episódio envolvendo o ex-administrador regional da Freguesia do à, Milton de Jesus, que mudou seu depoimento na polícia. No primeiro depoimento, ele acusou a vereadora de suposta participação em esquemas de propinas na regional. Dias depois, Jesus mudou seu depoimento. Segundo Alessandra, a parlamentar teria obrigado o ex-regional a elaborar um documento retirando as denúncias. De acordo com a ex-assessora, a parlamentar teria pago a várias testemunhas que prestaram depoimento no Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird), para que elas não a acusassem. Entre elas, o atual administrador Regional de Santana
Antônio Attencia. Maria Helena, segundo Alessandra, também teria iniciado uma articulação com outros vereadores para afastar o delegado Romeu Tuma Junior das investigações sobre a máfia dos fiscais na administração municipal. Ela também revela supostas ligações de Maria Helena com os dois parlamentares cassados após as denúncias da máfia na administração municipal: Vicente Viscome e Hanna Garib. Para Viscome, ela teria indicado o advogado do ex-vereador, Ademar Gomes. A Garib, ela teria aconselhado a não assumir seu mandato na Assembléia Legislativa. Até às 18 horas, a Prefeitura ainda não havia se manifestado. Segundo assessores da Secretaria de Comunicação Social, o prefeito o prefeito Celso Pitta estava em Brasília e o secretário do Governo Carlos Meinberg não deveria se pronunciar.

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