Ex-fiscal condenado a 5 anos é indiciado em mais seis inquéritos
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domingo, 11 de julho de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 12 (AE) - O ex-fiscal Marco Antônio Zeppini foi indiciado hoje em seis inquéritos que investigam supostos esquemas de corrupção na Administração Regional de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Zeppini, preso em flagrante desde o dia 2 de dezembro do ano passado após tentar extorquir a comerciante Soraia Patrícia da Silva, foi indiciado por concussão (extorsão).
A prisão de Zeppini no ano passado deflagrou a série de investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil sobre a máfia dos fiscais na administração municipal. O ex-fiscal também foi o primeiro acusado de extorsão a ser condenado pela Justiça. Há dois meses, Zeppini foi condenado a cinco anos de prisão por causa das denúncias de corrupção.
O indiciamento foi baseado nos inquéritos abertos pela polícia no início do ano. Na época, várias denúncias oferecidas pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra o ex-fiscal não foram aceitas pela Justiça. A abertura dos inquéritos foi recomendada para que fossem acrescentadas mais informações e provas nas acusações.
Segundo o delegado Vilson Genestretti, que conduz os inquéritos de Pinheiros, Zeppini é acusado de ser um dos líderes de um possível esquema de corrupção na regional de Pinheiros. Cada inquérito refere-se a uma denúncia, todas ligadas à supostas tentativas de extorsão sobre comerciantes e empresários da região de Pinheiros. Cheques - "Todas as denúncias referem-se ao Setor de Uso e Ocupação do Solo da regional", disse o delegado. Além de várias testemunhas, a polícia tem nas mãos informações de cheques supostamente utilizados para o pagamento de propinas e que foram depositados na conta de duas empresas de Zeppini, a Sucatuba e a Campini, ambas em Indaiatuba (SP). O valor dos cheques chegava a R$ 10 mil.
"Ele alegou que costumava trocar cheques para funcionários da regional", informou Genestretti. Porém, todos os valores eram anotados nas agendas do ex-fiscal apreendidas no fim do ano passado pelo MPE. As agendas auxiliaram a polícia e o MPE na coleta de provas, como o rastreamento de contas bancárias e o contato com testemunhas que teriam sido lesadas pelo esquema. "Ele disse que está sendo utilizado como o único culpado em toda a história", comentou o delegado. A versão é sustentada pelo advogado de Zeppini, Alberto Mariz de Oliveira.
"Escolheram ele para assumir a responsabilidade de tudo", afirmou Oliveira. Ele não soube informar, porém, quem seriam os interessados em transferir toda culpa para o ex-fiscal. "Ele negou o óbvio", disse o promotor Gilberto Leme, que acompanhou o depoimento. Segundo disse, as acusações contra Zeppini são fortes, inclusive de que ele teria utilizado a Sucatuba e a Campini para lavagem do dinheiro proveniente de propinas.


