Ex-farmacêutico acusa Enila de fraude
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quinta-feira, 12 de junho de 2003
Agência Folha 
Rio - O ex-farmacêutico-responsável do Enila, Sérgio Porto Carreiro, acusou ontem o laboratório de fraudar sua assinatura para liberar o Celobar e poder colocá-lo à venda. Porto Carreiro está desligado da empresa há um ano e três meses. Apesar disso, sua assinatura continuou constando em documentos necessários à aprovação do medicamento. O medicamento, um contraste radiológico, está relacionado a 22 mortes no País.
Segundo o delegado Ricardo Nunes, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Saúde Pública, os documentos são o atestado do controle de qualidade e a instrução de fabricação do Celobar. ''É o último ato do controle de qualidade, o certificado de que o processo de fabricação foi rigorosamente seguido e aprovado'', disse.
Nunes afirmou que os documentos usados pelo Enila não são legítimos. Como o farmacêutico não trabalha mais no laboratório, o atestado de qualidade do Celobar produzido desde sua saída ficou comprometido.
De acordo com o delegado, os documentos vinham sendo forjados a partir de uma cópia da assinatura do ex-funcionário. ''O que eu vi aí dentro (referindo-se aos documentos do laboratório) foi muita desonestidade. As pessoas que deveriam assinar e que estão lá para isso, não assinaram, simplesmente copiaram um documento que já existia e montaram em cima com o meu nome'', completou Porto Carreiro. Ele contou que pretende entrar com uma ação judicial contra o Enila pelo uso indevido de seu nome nos medicamentos.
O advogado do Enila, Paulo Henrique Lins, negou a irregularidade e disse que a assinatura do farmacêutico consta apenas na instrução de receita do Celobar. Segundo o advogado, por ser o autor da instrução, ele poderia continuar assinando-a, mesmo depois de ter deixado o laboratório. Lins negou que a assinatura tenha sido forjada.
Ontem, o juiz Gustavo Bandeira de Rocha Oliveira, da 1 Vara Empresarial do TJ (Tribunal de Justiça do Rio), enviou o pedido de concordata preventiva do Enila ao Ministério Público, para que dê um parecer. O pedido foi feito no último dia 6, dez dias após a divulgação das mortes supostamente causadas pelo contraste radiológico.


