Ex-executivo do Nacional nega ocultação de patrimônio
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 23 (AE) - O ex-vice-presidente executivo do Banco Nacional, Arnoldo de Oliveira, negou hoje ao juiz Alexandre Libonati de Abreu, da 13ª Vara Federal, que tenha ocultado, do Banco Central ou da Justiça, parte do seu patrimônio, crime do qual é acusado por denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em novembro. Segundo a denúncia extistem indícios de que o imóvel que Arnoldo morava de aluguel em Ipanema, quando do início das investigações sobre fraudes na administração do Nacional, era na realidade de sua propriedade.
A denúncia do Ministério Público baseia-se no fato de a cobertura de 700 metros quadrados em Ipanema ter sido comprado pela empresa Andromeda Dias antes de o BC tornar os bens dos administradores do Banco Nacional indisponíveis em consequência da intervenção pelo Regime de Administração Especial Temporário (Raet). A empresa teria sido constituída com fim único de comprar o imóvel a pedido da Belzin Investiments, que é registrada nas Ilhas Virgens Britânicas - paraíso fiscal. Esta última pertencia a Albacore Investment, que é representada pelas empresas Astaire e Antares.
Segundo apuração do Ministério Público o endereço da sede das empresas é o mesmo da Cititrust, braço financeiro do Citibank nas Ilhas Cayman. Arnoldo Oliveira, que trabalhou cerca de 14 anos no Citibank, fechou a operação de locação com o advogado Renato Pinheiro, que trabalhou também no Citibank e depois atuou como prestador externo de serviços para a instituição financeira. No depoimento, ele disse ao juiz que não sabia como a Andrômeda foi constituída, nem a quem pertencia e que sabia apenas que o advogado Renato Pinheiro, que diz conhecer superficialmente, era o representante da empresa.
O ex-executivo do Nacional informou no depoimento que havia conversado com várias pessoas sobre a intenção de alugar um imóvel e que um outro "contemporâneo" do Nacional, Peter, falou com o advogado Renato Pinheiro. Este último o contatou para oferecer a cobertura de Ipanema.
No depoimento, Arnoldo disse ainda desconhecer qualquer solicitação dentro do Citibank para a criação de empresas em paraíso fiscal com fins de compra de imóveis. Arnoldo de Oliveira destacou que não entende do que está sendo acusado e o porque da denúncia. Ele lembrou que a Receita Federal já devassou todas a sua vida fiscal e bancária. O advogado do ex-executivo do Nacional, José Carlos Fragos, disse ao juiz que o cliente não entende se está sendo acusado de ser dono do apartamento, da Andromeda, da Belzin ou das outras empresas citadas na denúncia.


