Nova York, 16 (AE-AP) - A ex-executiva do Bank of New York Lucy Edwards e seu marido, Peter Berlin, declararam-se hoje (16) culpados perante um tribunal de Manhattan, um dia depois de chegarem a Nova York, vindos de Londres, para render-se ao FBI (a polícia federal americana).
O casal admitiu ter recebido US$ 1,8 milhão para permitir que banqueiros russos realizassem operações ilegais com o objetivo de lavar dinheiro da máfia de seu país e burlar os Fiscos da Rússia e dos EUA.
Lucy era vice-presidente do banco - e encarregada das operações para a Europa Oriental - e seu marido, imigrante russo, era correntista da instituição. A admissão de culpa foi a primeira na investigação sobre o escândalo. Há suspeitas de que cerca de US$ 10 bilhões tenham sido "legalizados" com a ajuda deles.
O Departamento de Justiça tem indícios de que um alto funcionário do Bank of New York recebeu propina do casal, informaram fontes policiais ao jornal New York Times. Por meio de sua companhia, a Benex International, Berlin controlava várias contas que movimentaram bilhões de dólares procedentes da Rússia entre 1996 e 1999.
Se algum dos superiores de Lucy recebeu propina para facilitar a transferência ilegal de dinheiro, o banco ficará exposto a ações criminais, segundo especialistas em direito bancário. Até agora, ela denunciou um de seus superiores, mas promotores federais acreditam que o casal tem informações capazes de implicar outros funcionários, dizem participantes da investigação.
Em depoimento ao Congresso, em setembro, o presidente e diretor- executivo do banco, Thomas A. Renyi, disse que permitir que as contas continuassem abertas foi "um lapso". Mas um investigador opinou que o casal talvez possa fornecer evidências de que as contas continuaram abertas não por erro da gerência, mas porque alguns funcionários preferiram conscientemente ignorar o fato.
Um alto funcionário federal disse que não se chegara a nenhum acordo com Lucy e Berlin sobre a sentença que receberiam por declarar-se culpados. Tudo dependeria de seu grau de cooperação.
A denúncia de lavagem de dinheiro contra o casal refere-se a cerca de US$ 8 milhões depositados em suas contas pessoais. Acredita-se que US$ 1 milhão seja proveniente de taxas de transações com a operação da Benex. Advogados do Departamento de Justiça argumentaram, nas negociações com Lucy e Berlin, que o casal violou leis federais sobre lavagem de dinheiro quando transferiu aquelas taxas de suas contas pessoais no banco para outras no exterior, disse um advogado que está por dentro das investigações.
Lavagem de dinheiro é geralmente definida como prática em que pagamentos recebidos ilegalmente são transferidos por meio de uma série de transações bancárias para que pareçam ganhos legítimos. Pela legislação dos EUA, só é crime se o dinheiro for ganho com alguma atividade ilegal.
Embora as acusações sobre lavagem de dinheiro não abranjam vastos montantes movimentados pela Benex, funcionários federais conseguiram usar a denúncia para trazer o casal ao país. Os dois não são acusados de lavagem criminosa de ganhos de terceiros, embora fontes de órgãos policiais federais dissessem acreditar que pelo menos parte da movimentação tinha origem em atividades ilícitas. Acredita- se que a maior parte seja dinheiro que saiu da Rússia para evitar o pagamento de impostos. Autoridades federais disseram que as investigações são dificultadas pela falta de cooperação do governo russo.

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