Ex-espião faz acusações a Mitterrand Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 15 (AE) - François Mitterrand, uma vez mais. O ex- presidente, falecido há três anos, continua mexendo com as cabeças, provocando tempestades em torno de seu nome. As revelações, mais ou menos nauseabundas, se sucedem. Hoje quem fala é um homem sério: Pierre Marion, ex-chefe da DGSE (serviços secretos franceses), nomeado para este posto em 1981 pelo próprio Mitterrand. Não é portanto um literato ou um dançarino qualquer. É um homem de peso.
Marion detesta Mitterrand. Em seu livro - Memoires de lombre (Flamarion) - ele é implacável. Para Marion, os "desvios" de Mitterrand começaram logo depois de sua eleição: desde outubro de 1981, quando ele soube que estava com câncer. Imediatamente, ficou aterrorizado, principalmente porque pensava em sua filha "não reconhecida", Mazarine, então com 8 anos."Desde então" - diz Marion - "ele não manteve mais seus compromissos. Começou a esquivar-se de tudo".
Houve alegações de que Mitterrand teria realizado "operações financeiras duvidosas" precisamente em favor de Mazarine. Neste ponto, Marion esclarece que nunca pôde confirmar estes rumores de maneira séria.
Em contrapartida, Marion diz coisas muito estranhas sobre um episódio ocorrido no final do governo de Mitterrand. No palácio do Eliseu encontrava-se um antigo amigo íntimo de Mitterrand, François de Grossouvre, que se tornara seu conselheiro (e que outrora havia cuidado de Mazarine). Em 1984, Grossouvre foi encontrado morto em seu escritório no Eliseu. A morte foi considerada um suicídio.
Um jornalista do "Figaro" perguntou ontem a Marion: "É verdade que Grossouvre se suicidou?" Pierre Marion respondeu: "Isso é o que repetiram estes "senhorzinhos" de sua comitiva. Eu o vi (Grossouvre) nas semanas que precederam este drama.Ele estava em plena forma e fazia a mesma análise que eu a respeito de Mitterrand. Antes de 1988, ele havia até tentado dissuadir o presidente a não buscar uma nova candidatura( à presidência). Queria evitar um segundo mandato de sete anos que, na sua opinião, seria catastrófico.O suicídio é uma coisa pouco verossímil.
Ele (Grossouvre) parece ter sido o único a furar a "ponta de diamante" dos negócios escusos. Sua morte continua sendo um mistério. Se ele não se suicidou, quem o teria assassinado? Nenhuma pessoa, seja lá quem for, entra no Eliseu com um revólver. É preciso que seja bem introduzido".
Marion não diz mais nada. Deixa a questão em suspenso...





