Ex-engraxate, Viscome chegou à Câmara como suplente em 92
São Paulo, 28 (AE) - O vereador Vicente Benedicto Viscome elegeu-se para a Câmara de São Paulo pela primeira vez em 1992, com 10.017 votos pelo extinto PDS, como suplente do vereador Antônio Sampaio. A morte do titular, um ano depois, permitiu a Viscome assumir a vaga definitivamente e, graças ao controle político das Administrações Regionais de São Mateus e Penha, na zona leste, pôde reeleger-se vereador em 1996, desta vez com 27.046 votos.
Além do cargo, sua campanha rendeu-lhe uma condenação, em primeira instância, de 2 anos e 4 meses, em regime semi-aberto, pela Justiça Eleitoral, por crime de "natureza gravíssima". Viscome teria trocado votos por de assistência médica. Cartazes espalhados na região na época forneciam um telefone para remoções em caso de problemas de saúde.
À Justiça Eleitoral, Viscome declarou uma fortuna de R$ 16,5 milhões, a maior entre os vereadores. Sua lista de bens inclui cerca de cem imóveis, muitos deles na zona leste. Antes de entrar para a política, o ex-vereador era comerciante do ramo de automóveis na região, onde conserva até hoje seu reduto eleitoral, principalmente os bairros da Mooca, Belém e Tatuapé.De origem humilde, começou a trabalhar como engraxate e depois como vendedor em loja de carros usados, até que abriu sua primeira revendedora.
O desempenho de Viscome na Câmara sempre foi discreto, com raras exposições em plenário. Mas já apresentou projetos polêmicos entre os 138 propostos de 1993 até 1998. Além de ter concedido medalhas e títulos de cidadão paulistano, apresentou projetos dispondo sobre a mudança de uso de áreas residenciais para zonas que permitissem o comércio.
Em 1996, conseguiu transformar em lei um projeto que obrigava o uso de copos descartáveis em bares e restaurantes. Em dezembro de 1997, foi sancionada lei proposta por ele que previa a punição, com multa, dos responsáveis por erros gramaticais em mensagens publicitárias, cartazes e faixas.
Também obteve destaque com a aprovação do projeto que cria em São Paulo o Dia do Orgulho Gay, comemorado hoje. A proposta mais curiosa de Viscome, porém, apresentada em 1997, não foi aprovada por ser inconstitucional. Obrigava a Prefeitura a usar áreas ociosas para a construção de casas populares para servidores municipais lotados nas administrações regionais.
Essa relação com as regionais começou na primeira gestão
quando indicou o administrador de São Mateus. Na atual, indicou o administrador e outros funcionários para a Administração Regional da Mooca. Viscome, que costumava dizer que "tudo o que toca vira ouro", lema repetido por sua namorada e ex-assessora, Tânia de Paula, foi indiciado por concussão e formação de quadrilha. Está preso desde 31 de março.





