Ex-empregados dos Correios no PR são investigados por tráfico internacional
Segundo a Polícia Federal, organização atuava dentro do setor internacional da estatal em Pinhais desviando drogas sintéticas vindas do exterior. Suspeitos foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta quarta
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quarta-feira, 09 de outubro de 2019
Segundo a Polícia Federal, organização atuava dentro do setor internacional da estatal em Pinhais desviando drogas sintéticas vindas do exterior. Suspeitos foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta quarta
Rafael Costa - Grupo Folha 
Curitiba - A PF (Polícia Federal) cumpriu nesta quarta-feira (9) sete mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga ex-empregados dos Correios suspeitos de desviar e vender drogas que entravam no Brasil passando pelo setor de triagem de objetos internacionais em Pinhais, na Grande Curitiba.
As buscas ocorreram na capital e em Piraquara, também na Região Metropolitana. Dois ex-empregados de carreira da estatal e três ex-funcionários terceirizados são investigados por suspeita de participação na organização criminosa.
Um sexto suspeito sem ligação anterior com a estatal também é investigado. A polícia encontrou com ele 21 comprimidos de ecstasy. A operação também apreendeu anabolizantes e uma pequena quantidade de droga, oito telefones celulares, discos rígidos e pen drives.
Três dos investigados chegaram a ser presos temporariamente por suspeita de peculato e associação criminosa já no final de fevereiro deste ano, durante a primeira fase da investigação, que apurava violações de encomendas identificadas pelos Correios.
A própria empresa acionou a PF e instalou câmeras em locais estratégicos do CEINT (Centro Internacional de Curitiba) depois de constatar extravios de conteúdo em diversas remessas.
Após as prisões e a identificação de resquícios de drogas sintéticas nos pacotes esvaziados, a polícia deflagrou a segunda fase para coletar provas da atuação da organização no tráfico internacional. A operação foi denominada “Holanda”.
“Na primeira fase, identificamos que o foco da organização era realmente quase exclusivo na obtenção de drogas sintéticas provenientes da Holanda. Essa segunda visa identificar para quais pessoas eram vendidas essas drogas”, disse à FOLHA o delegado da PF Rodrigo Morais.
Segundo o delegado, suspeitos ouvidos pela polícia confirmaram que compraram drogas sintéticas de ex-funcionários da estatal presos na primeira fase.
A operação teve apoio da Gerência de Segurança Operacional dos Correios. Em nota, a empresa informou que o caso começou a ser investigado em conjunto com a PF no final de 2018 e que os empregados responderam a processo administrativo e foram demitidos.
“A empresa reitera que qualquer conduta por parte dos empregados, dissociadas dos padrões e valores defendidos pelos Correios, será apurada e devidamente corrigida”, afirma o texto.
AUTUAÇÃO
A suspeita da PF é que os ex-funcionários desviavam os entorpecentes na própria estação de trabalho no centro internacional dos Correios em Pinhais, por onde passam todas as encomendas postais internacionais de até dois quilos para o Brasil.
Eles identificavam a origem das remessas e examinavam os pacotes em busca de drogas sintéticas. Segundo a PF, a atuação era constante. “Se contivessem droga sintética, os pacotes eram interceptados e subtraídos para posterior venda”, informou o órgão.


