São Paulo, 05 (AE) - O ex-diretor do Banco Central e sócio-diretor da MCM Consultores, José Júlio Senna, acredita que a política de juros deve ser voltada exclusivamente para o combate à inflação. Para ele, voltá-la para a estabilização da política cambial é um erro. "Temos de reduzir os juros para que os investidores coloquem mais dólares em reais", afirmou Senna, explicando que o principal alvo da política econômica, neste momento, é a recuperação de sua credibilidade. Segundo ele, a credibilidade é uma condição necessária para a estabilização econômica, mas não é suficiente. Ainda há muitas dúvidas, segundo ele, da continuidade das mudanças recentes e principalmente dos ocupantes da equipe econômica brasileira.
A partir da retomada da credibilidade, Senna acha que é perfeitamente possível se ter uma taxa de juros de 15% "no meio deste ano". "Não vejo razão para que isso não ocorra", afirmou. Senna, que defendia a adoção de uma política cambial flexível, acha que o Brasil está hoje, apesar de todas as turbulências, numa situação melhor do que estava até o último dia 12, quando foram iniciadas as mudanças no câmbio.
"De nada teria adiantado desvalorizar o real em 20%, continuaríamos tendo os mesmos problemas", ponderou o economista, dizendo que em matéria de política cambial, se deve optar por extremos. De acordo com ele, a opção currency board não seria adequada ao Brasil porque o governo estaria abrindo mão de um mecanismo macroeconômico importante. Assim, a opção do câmbio flexível é a mais interessante porque fica garantida a independência da política monetária.
Senna descarta a idéia da adoção da centralização cambial, dizendo que o País deve seguir o caminho oposto, permitindo a total liberalização. "Devemos caminhar para uma moeda conversível", ponderou o ex-diretor do BC. As declarações do ex-diretor do BC foram dadas nesta tarde durante o seminário "Para onde vamos com o câmbio livre", promovido pela Internews
no Hotel Meliá, em São Paulo.

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