Ex-diretor diz que soube de mudança cambial na manhã de 12 de janeiro
Brasília, 11 (AE) - O ex-diretor de Asuntos Internacionais do Banco Central (BC) Demosthenes Madureira de Pinho Neto disse, na noite de hoje, que tomou conhecimento da decisão do presidente Fernando Henrique de alterar a política cambial em 12 de janeiro pela manhã, quando se reuniu com o então diretor de Política Monetária da instituição, Francisco Lopes, e a chefe do Departamento de Reservas Internacionais, Maria do Socorro Carvalho.
Pinho Neto informou ainda, em resposta ao relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto Souza, que a decisão do BC de não intervir no mercado de câmbio em 15 de janeiro só foi tomada poucos minutos antes da divulgação do comunicado no Sisbacen, por volta das 11 horas.
Ele disse ainda que a decisão de deixar o câmbio flutuar com intervenções episódicas lhe foi informada no domingo à noite (dia 17) por contato telefônico com a equipe do governo brasileiro que estava em Washington (ministro da Fazenda, Pedro Malan, Chico Lopes e o então secretário de Política Econômica, Amaury Bier).
O ex-diretor do BC disse que a redação do comunicado divulgado no dia 12 foi feita pessoalmente por ele, durante a madrugada de domingo, em contatos telefônicos com Maria do Socorro.
Ele informou que não conhecia e não conhece até hoje o ex-controlador do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola. Disse também que não conhece o presidente do Banco FonteCindam, Luiz Antonio Gonçalves, o economista Rubem Novaes e os irmãos Luís e Sérgio Bragança, da Macrométrica.
Quando o relator pediu a ele o telefone comercial, Pinho Neto respondeu que não tem telefone comercial porque está cumprindo quarentena.
Pinho Neto afirmou que a decisão de não intervir no mercado cambial em 15 de janeiro foi tomada em função de uma avaliação informal de que havia uma demanda por moeda de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões naquele dia.
Diante disso, a intervenção só geraria esgotamento das reservas brasileiras, disse o ex-diretor. Ele afirmou que, naquele dia, não se sabia que haveria mudança no regime cambial. A decisão só foi tomada na noite de domingo, depois dos contatos feitos pela equipe econômica com a comunidade financeira internacional.
"A questão do Marka e FonteCindam naquele contexto era menor; nossa questão era de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões; era impedir que o País quebrasse."





