Ex-deputado é preso durante acareação feita por CPI
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Fausto Macedo 
São Luís, 27 (AE) - A CPI do Narcotráfico prendeu hoje o ex-deputado estadual Hemetério Weba, apontado como um dos principais dirigentes do crime organizado no Maranhão. A prisão aconteceu às 17 horas no plenário da Assembléia Legislativa maranhense. Algemado, Hemetério foi carregado até um camburão que o levou para a superintendência regional da Polícia Federal. Nas ruas, uma multidão comemorou, gritando e dançando, repetindo manifestação da noite de terça-feira, quando a CPI efetuou as primeiras prisões em São Luís. "Mais um, mais um", pediam homens, mulheres e crianças que fazem vigília em frente ao prédio do Legislativo e acompanham os trabalhos da CPI em um telão e pelas emissoras de rádio, que transmitem os depoimentos ininterruptamente.
Hemetério foi prefeito, até 1990, de Santa Luzia do Paruá, ao Norte do Estado, a 400 quilômetros da Capital. Depois, elegeu-se duas vezes deputado pelo PFL. Na Assembléia, integrou o bloco de sustentação do governo Roseana Sarney (PFL). No ano passado, tentou a reeleição mas perdeu. Seu reduto eleitoral fica na região de Nova Olinda - próxima a Santa Luzia -, junto à BR-316, apontada como rota do roubo de carretas e tráfico de drogas no Norte do País.
A prisão temporária (30 dias, prorrogáveis por mais 30) do ex-deputado foi ordenada pelo juiz federal José Carlos do Vale Madeira - acolhendo requerimento da CPI e da Procuradoria-Geral de Justiça - com base no artigo 12 da Lei 6.368/76 (Lei de Tóxicos). Formalmente, o ex-deputado está sendo acusado de tráfico internacional de entorpecentes. Quando recebeu voz de prisão - anunciada pelo presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES) -,Hemetério levou as mãos ao rosto. Ele estava sentado à frente dos integrantes da comissão e de quatro assaltantes de caminhões que, durante acareação, o chamaram de "bandido".
Em Nova Olinda, Hemetério possui uma fazenda e um avião monomotor com três lugares, não declarado ao Fisco. A propriedade não tem pista. O ex-deputado admitiu que usava a pista da BR-316 e uma estrada secundária de terra batida para pousar e decolar com seu avião. Segundo os ladrões de carretas, Hemetério usava a aeronave para transportar cocaína. "É mentira desse cabra safado", reagiu o ex-deputado, dirigindo-se ao sargento Antonio Lisboa, que está preso sob acusação de ser um dos braços operacionais da organização. "Meu avião não voa há dois anos porque está quebrado", disse Hemetério.
Ex-comandante do Destacamento Militar de Nova Olinda, Lisboa acusa Hemetério de desviar um carregamento de 80 quilos de maconha no início do ano e de "acobertar todos os traficantes da área". O ex-deputado atribuiu as acusações a uma "intriga política" do atual prefeito da cidade, William Amorim (também acusado de envolvimento com o crime organizado), e de dois deputados que seriam seus desafetos. "Tudo isso é uma insinuação criminosa, quero que investiguem a minha vida", disse Hemetério. O sargento Lisboa contou que poucos dias antes da eleição para deputado, em 1998, Hemetério teria assaltado um carro que levava R$ 30 mil destinados ao pagamento de funcionários do hospital local. "É mentira desse bandido, o dinheiro foi roubado por dois elementos", defendeu-se Hemetério.
Outro assaltante, José João Soares, o Jota, afirmou que certa vez Hemetério convidou-o para participar de um plano de morte. "É mais uma mentira", insistiu o ex-deputado que admitiu ter havido mortes dentro de sua fazenda. "Dois elementos invadiram minha área mas não fui eu que matei; o meu vaqueiro atirou em legítima defesa", contou, provocando gargalhadas na platéia que lotava o plenário da Assembléia.
Ainda hoje, o relator da CPI do Narcotráfico, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), anunciou o indiciamento do deputado estadual José Gerardo (PPB), acusado de fazer parte da cúpula do crime organizado. Gerardo não atendeu à convocação para depor. Ele é apontado como mentor do assassinato do delegado Stênio Mendonça, que o investigava, em maio de 1997. Segundo o relator, o deputado maranhense foi enquadrado em cinco crimes: receptação de produtos roubados, formação de quadrilha, homicídio, porte ilegal de arma e associação para tráfico de drogas.


