Ex-deputado critica ação de promotores e diz que seu filho é vítima de "denuncismo petista"
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 06 (AE) - O ex-deputado Roberto Campos, do PPB do Rio, classificou hoje como "denuncismo petista" a ação dos promotores de Justiça de São Paulo, Gilberto Leme Garcia e José Carlos Blat, que indiciaram seu filho Luiz Fernando de Oliveira Campos por falsidade ideológica. Luiz Fernando e outros sete funcionários são suspeitos de serem funcionários fantasmas do Instituto de Previdência do Município de São Paulo (Iprem). Para Campos, seu filho é apenas "um funcionário diferente". "Ele é técnico de informática e, muitas vezes, não precisa ir ao Iprem para trabalhar; faz o serviço em casa", afirmou.
O ex-deputado, que hoje ocupa a presidência do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Rio (Comudes) e sempre se destacou na política como um dos maiores críticos do empreguismo e do inchaço do Estado brasileiro, não escondeu sua indignação com o fato. "Essa gente (os promotores) não passa de jovens impetuosos influenciados ideologicamente pelo PT, quem sabe até ligados a ele, que reproduzem no Ministério Público esse denuncismo acusatório tão comum aos petistas", afirmou.
Na quarta-feira, Blat e Garcia foram pessoalmente ao Iprem para apurar denúncia de que haveria fantasmas entre os cerca 250 funcionários do órgão. Na sala de Luiz Fernando, eles encontraram uma lista de presença com horários de entradas e saídas do dia 1º ao dia 14 de maio já assinada pelo servidor. Só o fato, segundo os promotores, foi o bastante para indiciar o filho de Campos, que trabalha como assessor-técnico por um salário de R$ 6.047,00.
O ex-deputado do PPB disse que a lista era apenas "uma proposta de comparecimento formal", já que seu filho trabalha a maior parte do tempo em casa. "Pode ter sido uma mera imprudência, mas cabe a sindicância apurar se de fato houve ou não irregularidade e, se for o caso, demitir os responsáveis", afirmou. Segundo o pepebista, o que não se pode deixar é que "jovens impetuosos do Ministério Público" tomem para si o poder da investigação policial.
"A Constituição prevê que a ação de investigar é da polícia; a de acusar, do Ministério Público; e a de julgar, da Justiça", alegou. "Esses promotores estão agindo como policiais e juízes ao mesmo tempo, porque estão fazendo um pré-julgamento antes mesmo do fim do inquérito". Não opinião de Campos, a ação de Blat e Garcia no Iprem foi "ilegal", porque eles retiraram documentos pessoais sem estarem respaldados por um mandado de busca e apreensão.
O ex-deputado, que falou hoje com o filho por telefone, negou que Luiz Fernando estivesse se ausentado do Iprem na quarta-feira, quando Blat e Garcia visitaram o órgão. Campos afirmou que seu filho trabalhou naquele dia das 8h30 até às 15h30 - uma hora antes da chegada dos promotores. "Essa ânsia de buscar publicidade é um perigo para a democracia", criticou. Ele já contactou seus advogados para estudar uma ação judicial reparatória contra os promotores.


