Ex-deputado Carli Filho vai a júri popular
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Rodrigo Batista<br>Equipe Bonde 
Curitiba - O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná decidiu ontem, por unanimidade, que o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho irá a júri popular pelo acidente que matou dois jovens na noite do dia 7 de maio de 2009, em Curitiba. A defesa ainda deve recorrer da decisão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não há data para a realização do julgamento.
Os desembargadores do TJ também definiram que o exame de alcoolemia realizado no acusado após o acidente não pode ser utilizado como prova. Na opinião dos desembargadores, Carli Filho não consentiu com a realização do exame para este ser usado como prova, pois, na ocasião, ainda estava desacordado e em tratamento médico no hospital.
Os juízes que participaram da sessão do TJ acompanharam o voto do relator do caso, o desembargador Telmo Cherem. Eles levaram em consideração para o voto o estado de embriaguez do acusado, além das provas testemunhais e a confissão do ex-deputado de que ele teria ingerido álcool. Com isso, o réu teria assumido o risco de causar o acidente.
Para Cherem, a questão central foi se as vítimas poderiam ou não ter visto o carro de Carli Filho antes do acidente e, com isso, evitado passar pelo cruzamento. "Este é o ponto crucial. Havia dificuldade para a visualização naquele lugar. Por três vezes estive neste cruzamento para analisar o caso", revelou. Na opinião do desembargador, não haveria como todas as pessoas que passassem por ali avistarem o veículo, mesmo que uma das testemunhas utilizada pela defesa motorista de um automóvel que estava atrás do carro atingido por Carli Filho o tenha visto antes do acidente.
Alívio
Após a decisão do TJ, Christiane Yared, mãe de Rafael Yared, uma das vítimas do acidente, se mostrou satisfeita com a decisão que leva o caso a júri popular. Emocionada, ela agradeceu à Justiça, mas disse que, neste caso, não há vitoriosos. "Essa é uma história de uma nação que precisa acordar para o que está acontecendo. Esse é um começo. Ainda temos um longo caminho para percorrer", declarou.
O advogado de acusação do caso, Elias Mattas Assad, acredita que, após os trâmites burocráticos, a Justiça possa marcar a data do julgamento ainda para 2014. "Há uma possibilidade de o processo baixar à vara do júri e ser pautado o dia do julgamento. Nós esperamos que isso ocorra o mais rápido possível." A falta do exame de alcoolemia, para o advogado, não deve atrapalhar a acusação. "Temos muitas outras provas. Para um júri, é muito importante a confissão do acusado", apontou.
Na defesa, o advogado René Dotti confirmou que vai recorrer da decisão no STJ. Segundo ele, os argumentos utilizados pela Corte não condizem com casos precedentes do TJ semelhantes aos de Carli Filho, em que os réus não foram a júri. Ele ainda afirmou que a embriaguez e o excesso de velocidade não são suficientes para manter a decisão. "Esses aspectos não são suficientes para revelar que o condutor automóvel assumia o risco de produzir o resultado morte."


