Londrina - O ex-delegado da Receita Estadual em Londrina José Luiz Favoreto Pereira foi convocado a prestar depoimento na tarde de ontem no Gaeco. Preso desde o dia 14 de fevereiro, Pereira chegou com mãos e pés algemados e preferiu manter o silêncio durante pouco mais de uma hora. O ex-delegado retornou à PEL 2 por volta das 15h30.
O advogado Rafael Garcia informou que Pereira dará os esclarecimentos necessários somente em juízo. O advogado aguarda a resposta ao pedido de habeas corpus protocolado no Tribunal de Justiça do Paraná. No início da semana, o ex-delegado foi denunciado pelo Ministério Público por favorecimento à prostituição ou exploração sexual.
Nesta terça-feira, o delegado do Gaeco, Ernandes Cezar Alves, concluiu mais um inquérito relacionado aos crimes de exploração sexual. O auditor fiscal da Receita Estadual Luiz Antônio de Souza, o ex-assessor da Casa Civil do Paraná e fotógrafo Marcelo Caramori e uma suposta agenciadora que não teve o nome revelado foram indiciados por favorecimento à prostituição ou exploração sexual. A pena prevista é de até dez anos de reclusão.
Conforme Alves, duas meninas, uma de 14 e outra de 16 anos, teriam participado de vários programas sexuais com os dois indiciados. "As duas eram amigas e receberam de
R$ 250 a R$ 300 por cada encontro. Segundo os depoimentos, os programas ocorreram em setembro do ano passado", destacou o delegado do Gaeco.
No total, 16 inquéritos foram abertos para apurar os crimes de exploração sexual. Oito deles já foram concluídos e resultaram em sete denúncias oferecidas pelo Ministério Público à Justiça. O inquérito finalizado nesta terça-feira ainda será analisado pela promotora da 6ª Vara Criminal, Susana de Lacerda. O advogado de Marcelo Caramori não retornou as ligações.
Dos cinco agentes públicos detidos até o momento, quatro estão sob investigação em sindicâncias internas. Apenas Marcelo Caramori, exonerado da Casa Civil logo após ser preso no final de janeiro, não será alvo de procedimento administrativo. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Fazenda informou que as sindicâncias correm sob sigilo. Os três suspeitos da Receita Estadual, incluindo o auditor fiscal Orlando Aranda, estão afastados, mas recebem os salários normalmente até a conclusão dos procedimentos. A Corregedoria da Polícia Civil também apura a conduta do investigador Jefferson Pereira dos Santos. Não há prazo para a conclusão da investigação interna.

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