Ex-cunhado de Cacciola deve ser convocado pela CPI
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sábado, 08 de maio de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 09 (AE) - O advogado Roberto Moysés, ex-cunhado do banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, deverá ser convocado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a operação de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam. Esta semana, segundo o senador João Alberto (PMDB-MA), relator da CPI, será analisado pela comissão o documento de rescisão de direitos, firmado entre Cacciola e o ex-cunhado, que fora encontrado num dos envelopes lacrados apreendidos na casa do banqueiro.
A Polícia Federal e o Ministério Público vão investigar, também, a denúncia de que Moysés seria sócio de Cacciola na empresa Federal Town Internacional Corporation, que seria uma subsidiária do Marka com finalidade transferir dinheiro para o exterior. Em janeiro, teriam saído do País, por meio da FTI, US$ 17,5 milhões, que vêm somar-se aos US$ 17 milhões enviados ao exterior por Cacciola, também em janeiro, por meio do fundo Innovation, então administrado pelo banco Stock Máxima. "Não tenho a menor idéia do que se trata", disse hoje o advogado de Cacciola, José Carlos Fragoso. "Deve ser mais uma das acusações sem fundamento que vêm sendo feitas neste caso." O senador João Alberto disse que não se trata de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) a cessão de direitos firmada entre Moysés e Cacciola.
"Não havia nenhuma referência a isto no documento", diz o senador, que participou da abertura dos envelopes, na sexta-feira, ao lado dos procuradores responsáveis pelo caso e do próprio Salvatore Cacciola.
"Era apenas uma cessão de direitos, sem valor estipulado, que estava sendo rescindida." O senador acredita a princípio tratar-se de uma tentativa do banqueiro de passar bens para o nome de terceiros, para fugir confisco judicial.
O procurador da República Arthur Gueiros, um dos responsáveis pelo caso, também considera plausível a hipótese, "diante do contexto conturbado" do início das investigações. Ele espera esta semana ter resultados preliminares da perícia contábil iniciada há dez dias pela Polícia Federal. A confirmação de uma subsidiária do Marka como sendo empresa de fachada pode, segundo ele, dar margem a um desdobramento do inquérito. "Vamos esperar o resultado da perícia, mas de qualquer forma para uma pessoa que se dizia falida é mais uma surpresa uma denúncia de uma nova remessa de dólares para o exterior."


