Rio, 27 (AE) - Irritado com as novas críticas do sociólogo Luiz Eduardo Soares, ex-coordenador de Segurança e Cidadania, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), mudou o discurso e disse ter decidido demitir Soares quando ele elogiou o documentarista João Salles, que deu dinheiro ao traficante Marcinho VP para que se regenerasse. Até então Garotinho afirmava que Soares havia sido demitido por se incompatibilizar com o secretário da Segurança Pública, Josias Quintal.
"Luiz Eduardo sabia das denúncias de que o traficante estava hospedado em Buenos Aires, num hotel, recebendo R$ 1.200 de um empresário, um banqueiro, e o papel dele deveria ser denunciar à Polícia para que fosse preso", afirmou. "Por isso foi demitido, não porque fez denúncia contra qualquer policial." Garotinho disse achar a história de Salles "fantasiosa" e contou que em dezembro Soares levou a Quintal o documentarista, que contou a história.
"Montamos uma operação para prender o bandido, mas ele fugiu."O governador não quis dizer se suspeitava de vazamento da informação que possibilitou a fuga. "Não sei se ele (Soares) avisou ou não avisou", disse. Garotinho afirmou ainda que alguém pago pelo povo não tem o direito de concordar publicamente que um empresário dê R$ 1.200 para um traficante.
Preso - "Em qualquer país João Salles estaria preso, aqui, como é filho de banqueiro, todo mundo passa a mão na cabeça", disse o governador.
O pedetista deu mostras de ter ficado furioso com a entrevista de Soares ao "Fantástico", da Rede Globo. Ele confirmou ter recebido do sociólogo denúncia de que policiais ameaçavam matar cerca de 20 pessoas e jogar os corpos no Palácio Guanabara, em protesto contra a condenação, por Garotinho, de uma invasão policial da Mangueira. Afirmou também que uma investigação comprovou ser a denúncia infundada. Garotinho também acusou o Paraguai de proteger o traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

mockup