Ex-contador do marka confirma ter alterado balanço de 98
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 20 (AE) - O ex-contador do Banco Marka Eliel Martins confirmou à Polícia Federal (PF) ter retificado o balanço de 1998 da instituição para incluir o prejuízo com a desvalorização do real ocorrida já em 1999, o que diminuiu em R$ 12,3 milhões o patrimônio líquido da empresa no ano passado. O procedimento gerou suspeitas entre procuradores da República que investigam o caso, já que, em tese, poderia ter sido usado para sonegar Imposto de Renda, pela redução nos lucros do Marka. No momento, porém, parece caracterizar-se apenas a chamada "elisão" (redução, não necessariamente criminosa) fiscal.
Em depoimento ontem (19) ao delegado Deuler Rocha, acompanhado pelos procuradores Bruno Caiado e Artur Gueiros, Martins alegou que fazia nos balancetes "simulações e estudos de impacto", justificando, dessa forma, as alterações sob suspeita. O Banco Central (BC), porém, rejeitou os registros retificados, e a KPMG, empresa encarregada da auditoria externa do banco, até hoje não apresentara seu parecer sobre o balanço de 1998 do Marka. "Isso causa estranheza ao Ministério Público", afirmou Gueiros. O depoimento foi tomado por determinação da CPI do Sistema Financeiro.
O MP mandará cópia das declarações de Martins ao Conselho Regional de Contabilidade, para que explique se seus procedimentos foram regulares. O contador, em seu depoimento, também admitiu ter dado assessoria contábil à emissão, pela empresa Teletrust de Recebíveis S.A., de R$ 368 milhões em debêntures. Martins causou espanto ao dizer que a Teletrust -cuja propriedade atribuiu a Roberto Cruz Moisés, ex-cunhado de Salvatore Cacciola, dono do Marka- é uma "empresa virtual". A Teletrust está sob suspeita porque, com R$ 10 mil de capital social, fez emissão naquele valor, muito mais alto.
O advogado José Carlos Fragoso, defensor do Marka e de Cacciola, acompanhou o depoimento de Martins na sede da Superintendência da PF no Rio, que só acabou à noite. Falando em nome do contador, que evitou os jornalistas ao sair da PF, o advogado disse que seu cliente "é um técnico, que fazia o seu trabalho", e criticou as perguntas feitas no interrogatório. "Perguntaram sobre empresas que não são do grupo, enfim, a minha impressão é que não sabem bem o que procurar", afirmou. Segundo ele, as questões feitas durante o depoimento foram "muito genéricas".
Secretária - O depoimento da secretária Sandra Cupelo, interrogada antes do contador, deverá provocar um convite ao economista Francisco Moura, que dirigia o fundo Marka-Nikko, para prestar depoimento. Secretária de Moura, ela admitiu que no ano passado agendou duas reuniões entre a diretoria do Banco Marka e o economista Francisco Lopes. Em 1998, Lopes era diretor de Política Monetária do BC. Um dos encontros foi em julho ou agosto, e o outro, no fim do ano. A confirmação dos encontros, de que Moura teria participado, reforçou suspeitas do MP contra Lopes.


