Ex-comunistas foram os verdadeiros vencedores na Saxônia
Berlim, 20 (AE-ANSA) - O PDS aparece como o verdadeiro vencedor das eleições de ontem (19) na Saxônia, onde os social-democratas (SPD) do chanceler Gerhard Schroeder foram derrotados, já que os ex- comunistas se converteram no segundo partido do novo parlamento regional de Dresden, com nove cadeiras a mais que no anterior (de 21 para 30).
O PDS foi o único partido que conseguiu ontem um aumento real de votação (22,2 por cento contra os 16,5 por cento de 1994), diante das perdas que sofreu o SPD (10,7 contra 16,6 por cento, oito cadeiras a menos).
Também perderam eleitores os Verdes (2,6 por cento contra os anteriores 4,2 por cento) e o democrata-cristão CDU, que reconquistou a maioria absoluta - passou de 58,1 por cento de 1994 para 56,9 por cento -, mas perdeu um assento.
"O PDS será uma força política cada vez mais importante", disse hoje Gregor Gysi, chefe dos ex-comunistas no parlamento.
Gysi confirmou a vontade do partido - importante sobretudo na parte oriental do país - de penetrar também na ocidental e propor-se como real terceira força do cenário político da Alemanha.
Depois da nova derrota social-democrata, os dirigentes de todos os partidos se reuniram hoje em Berlim, começando pelo SPD de Schroeder, que imediatamente reafirmou sua decisão de continuar com o plano de cortes orçamentários fortemente criticado pela oposição.
"Não podemos mudar o programa porque ele objetiva dar frutos não imediatamente, mas no futuro", disse Schroeder.
"O problema na verdade é explicar melhor e com mais paciência seu conteúdo às pessoas", acrescentou.
Schroeder descartou que por enquanto as derrotas eleitorais repercutam na direção e quadros do partido, e jogou para o congresso de dezembro uma discussão mais ampla sobre as linhas programáticas gerais do SPD.
O chefe do governo alemão sublinhou a necessidade de se chegar a um compromisso com a oposição democrata-cristã (CDU) sobre o programa de austeridade, apesar de ter garantido que isto não tem nada a ver com uma "grande coalizão".
Menos polêmica do que o previsto foi a reunião da direção dos Verdes, onde parece ter sido superado um confronto entre Joschka Fischer e as duas mulheres copresidentes, Gunda Roestel e Antje Radcke.
Fischer lançou um chamado à coesão do partido, que de outro modo, advertiu, "está destinado à extinção".





