Curitiba - O ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, Jorge Luiz Thais Martins, que teve prisão temporária de 30 dias decretada, se apresentou ontem à polícia. Ele é suspeito de ter cometido nove assassinatos entre agosto de 2010 e janeiro de 2011 no bairro Boqueirão, em Curitiba. Os crimes começaram depois que o filho dele foi assassinado em um assalto em 2009. A polícia afirma que o suspeito teria tido ajuda para fazer ameaças a testemunhas e vítimas. Martins está preso no Quartel da Polícia Militar, na Capital.
De acordo com a delegada Vanessa Alice, o reconhecimento fotográfico do coronel por parte das vítimas que sobreviveram aos ataques e de testemunhas aconteceu em 100% dos casos e foi realizado em novembro. Dois atentados aconteceram depois deste reconhecimento.
O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Vinícius Michelotto, explicou que não poderia pedir a prisão preventiva a partir das primeiras evidências, o que possivelmente evitaria novos crimes. Ele explicou que o pedido depende de embasamento mais consistente dos fatos e mais provas.
Na quinta-feira, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do coronel. A polícia informou que uma caixa de munição, supostamente usada nos crimes, foi encontrada. As armas e dois veículos possivelmente usados nos homicídios não foram encontrados. Segundo Vanessa, os autores do assassinato do filho de Martins não estão entre as vítimas, que eram usuárias de drogas.
O inquérito deve ser concluído em 30 dias. A delegada titular da Delegacia de Homicídios, Maritza Haise, não descartou a possibilidade de uma acareação envolvendo o coronel.
Habeas corpus
Os advogados do ex-comandante informaram ontem que entrarão com pedido de habeas corpus na segunda-feira para revogar a prisão temporária. ''Esta prisão é cautelar e desnecessária no momento'', afirmou o advogado Sílvio Micheletti. No final da tarde de ontem, Martins estava sendo ouvido na Delegacia de Homicídios de Curitiba, mas o depoimento não havia sido concluído até o fechamento da edição.
Segundo os advogados, o ex-comandante não estava na cidade e foi pego de surpresa pelas acusações. ''As pessoas assassinadas não têm relação com a morte do filho do ex-comandante. Portanto, não há motivo de haver esta acusação'', opinou. Os acusados de matar o filho de Martins, um deles menor de idade, respondem processo em liberdade.

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