Ex-comandante de batalhão é preso no Rio
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sexta-feira, 30 de maio de 2003
Agência Estado 
Rio - O secretário de Segurança Pública do Rio, Anthony Garotinho, ordenou ontem a prisão do coronel PM Jorge Duarte. Ex-comandante do Batalhão de Choque, ele foi acusado pelo secretário de ser o responsável pela fuga do traficante e sequestrador Claudio Roberto Pacheco, o Sussuquinha, que estava preso na unidade, na madrugada de quinta-feira. Quinta-feira, Garotinho exonerou Duarte e ordenou a autuação de 13 PMs por facilitação de fuga.
A existência de um plano para tirar Sussuquinha da cadeia fora denunciada na segunda-feira por meio do Dique-Denúncia e a informação, repassada ao comandante-geral da PM, coronel Renato Hottz, que comunicou o então comandante do BpChoque. O telefonema anônimo citava o nome do batalhão, do traficante e chegava ao detalhe de que a fuga poderia ocorrer na própria segunda, na terça ou na quarta.
''As acusações ao comandante são com provas. Como é que um comandante de batalhão é informado de um fato dessa gravidade na segunda-feira e não toma providência nenhuma? Ao contrário, em vez de aumentar o policiamento, as informações que temos é de que ele diminuiu'', atacou Garotinho, referindo-se ao fato de Duarte ter reduzido de três para um, o número de policiais que vigiavam a cela de Sussuquinha.
Também foram presos o chefe do serviço reservado (P2) do BpChoque, capitão Márcio Viegas e 13 PMs. ''O comandante foi exonerado, está preso. Não só ele, mas também o P2 que tomou conhecimento do assunto. Essa é uma postura que adotaremos com todos aqueles que forem cúmplices de criminosos. Os responsáveis foram o comandante do batalhão e o serviço reservado'', disse Garotinho, ontem. Ao ser perguntado se os policiais teriam recebido propina para facilitar a fuga, o secretário disse não acreditar que alguém faça isso ''por amizade''.
Sussuquinha fugiu da cela construída para receber o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, depois que ele liderou uma chacina em Bangu 1, em 11 de setembro do ano passado. Considerada de segurança máxima, é uma espécie de jaula monitorada permanentemente por câmeras. Duas grades foram serradas. Oficialmente, a PM informou que Sussuquinha estava sozinho na cela e que apenas uma câmera filmava toda a carceragem, sem, no entanto, gravar a imagem. Ainda segundo a PM, no caminho percorrido pelo traficante até a saída, pela porta da frente do batalhão, ele deve ter sido filmado. A corporação admitiu que situações como essa fuga contribuem para enfraquecer e comprometer a imagem da polícia.
Sussuquinha tem uma ficha policial extensa. Só no Rio, foi condenado, em 10 processos, a 143 anos, 3 meses e cinco dias por tráfico, sequestro, receptação, uso de documentos falsos e associação para o tráfico. No ano passado, a polícia conseguira frustrar uma tentativa de fuga do criminoso.


