Ex-chefe dos fiscais, único condenado, volta a depor
São Paulo, 08 (AE) - O ex-chefe dos fiscais da Administração Regional de Pinheiros, Marco Antônio Zeppini, volta a ser ouvido amanhã (09) no Departamento de Identificação e Produtos Diversos (Dird). Em depoimento à polícia e ao Ministério Público, na sexta-feira, ele contou como era o esquema de corrupção da regional e disse que a maior parte do dinheiro ia para o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB).
"Agora tudo ficou mais fácil e as dúvidas que tínhamos estão sendo esclarecidas com uma velocidade incrível", disse hoje o delegado Romeu Tuma Júnior. Segundo ele, o novo depoimeto vai permitir a identificação de outros funcionários da prefeitura envolvidos no esquema de arrecadação de propina na região. Tuma Júnior informou hoje que o relato de Zeppini foi "rico" em nomes e informações. "Ele deu detalhes de como funcionava a arrecadação na regional, como era a pressão para que as pessoas pagassem e como o dinheiro seguia para as mãos do vereador".
Quando foi preso e autuado em flagrante, Zeppini tinha três agendas com anotações de quem pagava, os valores e datas para o desconto dos cheques dados como adiantamento da propina. Na sexta-feira, citou nomes das pessoas que pagaram, a grande maioria para ter liberados alvarás de funcionamento. Ele falou da reunião, no começo do ano passado, com o vereador Faria Lima quando ficou estabelecida a quantia a ser paga todos os meses.
"Aquele que se recusava estava fora do esquema e da regional", informou Zeppini ao delegado Múcio Alvarenga, que datilografou o depoimento das 13 às 22 horas. Também em seu depoimento, o ex-chefe da fiscalização da regional admitiu que ficava com 6% do que era arrecadado. "O restante ia para o gabinete do vereador".
A polícia e o Ministério Público pretendem realizar acareação entre o ex-fiscal, o vereador, outros funcionários e, principalmente, a ex-engenheira da regional, Maria Thereza Almeida Ferreira. Segundo Zeppini, o dinheiro era entregue para Maria Thereza e ela "mandava para o vereador em seu gabinete na Câmara". Inocência - O vereador divulgou entem nova nota à imprensa. "Convicto da minha inocência, reitero meu respeito às autoridades da Polícia e do Ministério Público que conduzem as investigações e minha confiança na Justiça". Na nota, diz ainda que "espontaneamente e desde 11 de março deste ano abri meu sigilo bancário e fiscal". (Renato Lombardi)





