São Paulo, 25 (AE) - O ex-chefe do Departamento de Polícia de Nova York Louis Anemone defendeu hoje a idéia de uma taxa sobre os serviços de telefonia para financiar a modernização da polícia. Anemone, que participou hoje da Conferência Internacional sobre Violência e Segurança Pública, promovida pelo Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, comentava a proposta do secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Marco Vinício Petrelluzzi. A idéia de Petrelluzzi é cobrar uma taxa mensal de 2,50 reais dos proprietários de linhas, sobre os serviços de telefone prestados pelas polícias e bombeiros, a fim de modernizar o sistema de comunicação das Polícias Civil e Militar.
Nova York, segundo Anemone, cobra taxa semelhante, instituída quando o governo da cidade criou o serviço 911 - número do telefone de emergência, semelhante ao que o secretário quer criar em substituição aos atuais 190, da PM, 147, da Polícia Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros.
Anemone relatou o processo de instituição da taxa, no começo dos anos 90. Segundo ele, o governo estabeleceu quando e quanto pretendia arrecadar, de acordo com cada fase de instalação do sistema.
Com base nesse plano detalhado, feito com antecedência, a proposta foi discutida na cidade e aprovada em consulta popular. Atualmente, a taxa mensal é de cerca de US$ 1,00, cobrado nas contas telefônicas.
O projeto de Petrelluzzi poderá ser enviado à Assembléia Legislativa até meados de novembro, a fim de que os deputados votem o tributo e ele possa ser cobrado em 2000.
Petrelluzzi afirmou que o governo do Estado só deverá mandar o projeto à Assembléia, caso a proposta tenha apoio popular. O Estado espera arrecadar R$ 800 milhões em três anos com a taxa. O novo tributo também é justificado pelo comprometimento de 93% do atual orçamento da secretaria (R$ 3,6 bilhões) com o pagamento de funcionários ativos ou inativos.
Em Nova York (orçamento da polícia de US$ 2 bilhões anuais, equivalentes a R$ 4 bilhões), segundo Anemone, esse comprometimento é maior: chega a 96%, dos quais 50% são gastos com pensões e aposentadorias.
Além de Anemone, estiveram no debate o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso; o coronel reformado José Vicente da Silva, pesquisador do Instituto Fernand Braudel; o presidente do instituto, Norman Gall; o assessor de Segurança Pública da Polícia do Ceará, Bill Andrews, e o ex-chefe do Setor de Narcóticos da Polícia de Nova York Pat Harnett. Este explicou a estratégia da polícia nova-iorquina de combate ao tráfico.
Segundo Harnett, só com uma medida policial - o aumento do número de investigadores no setor de narcóticos - conseguiu-se diminuir a criminalidade em um bairro da cidade dominado por gangues de imigrantes que dominavam o tráfico de drogas. A área, que contava com 45 investigadores em 1996, passou a ter 400 em 1997. Com isso, os homicídios no bairro caíram 38% (26% de queda na cidade) e os roubos, 27% (na cidade, 15%).
De acordo com Anemone, a Polícia de Nova York tinha 29 mil homens em 1994 e passou a 40 mil em 1998. Alguns vieram de departamentos incorporados à polícia, como o de trânsito.

mockup