Ex-capitão acusa general de ter ordenado invasão à CSN
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segunda-feira, 05 de julho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 06 (AE) - O ex-capitão do Exército Dalton Roberto de Melo Franco acusou hoje o atual comandante Militar do Leste (CML), general José Luís Lopes da Silva, de ter dado a ordem de invadir a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda
sul do Estado, em novembro de 1988, que resultou na morte de três metalúrgicos. Segundo Franco, o general era o responsável, na época, pela Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, em Petrópolis, e teria comandado os cinco batalhões militares que ocuparam a CSN.
O ex-capitão é o autor da denúncia de que o Exército teria sido o mentor da explosão, seis meses depois, do monumento 9 de Novembro, que havia sido construído para homenagear os três trabalhadores mortos no conflito. A denúncia provocou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) pelo Exército em março desse ano.
A declaração do ex-capitão foi feita durante depoimento de duas e meia, hoje à tarde, à comissão especial da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), que acompanha o IPM. Às 17h, o expediente no CML, já havia sido encerrado, quando ex-capitão terminou o seu depoimento na comissão, e o general Lopes não foi encontrado para falar sobre o caso.
Segundo o advogado de Franco, Leonardo Brandão, o relatório conclusivo do IPM foi entregue há 20 dias ao comandante do Exército, general Gleuber Vieira, a quem caberá aceitá-lo e encaminhá-lo à Justiça Militar ou devolvê-lo para o CML para novas investigações. "Podemos entrar com um pedido de impedimento na Procuradoria Geral de Justiça Militar, caso o comandante do Exército decida por novas investigações, já que há algo concreto que pode interferir nos rumos do caso", afirmou Brandão, referindo-se a "possíveis pressões" do comandante do CML sobre o encarregado do IPM, general Manoel Luz Valdevez de Castro.
No depoimento à comissão especial da Alerj, o ex-capitão voltou a afirmar que sofreu perseguições dentro do Exército, que levaram a sua expulsão da instituição, em 1996, por ter se negado a realizar a missão de explodir o monumento aos trabalhadores. Franco, que servia no 1ª Batalhão de Forças Especiais (1ª BFEsp), acusou diretamente seu superior na época, o então tenente-coronel, hoje general, álvaro de Souza Pinheiro. "Foi ele mesmo quem conduziu a missão, pelo menos era o que se falava na ocasião", afirmou.


