Rio, 28 (AE) - Só faltaram as faixas de "Fora FHC". O almoço em homenagem ao ex-comandante da Aeronáutica Walter Br„uer cedeu espaço para que setores militares defendessem a volta ao poder. Ex-candidato à Presidência da República pelo nanico PMN, o brigadeiro Ivan Frota sugeriu o impeachment de Fernando Henrique Cardoso. "Defendo não só o impedimento, como um movimento popular forte para substituir o governo da maneira mais rápida possível", afirmou. "Eu não chamaria isso de golpe porque quem elege, tem o direito de deseleger (sic)."
A liderança das massas, apontou, poderia ser levada pelos militares. "Não posso falar em nome dos militares, mas certamente haverá muitos prontos a liderar um movimento como esse", garantiu. A campanha de Frota, porém, não interessou ao presidente do conselho deliberativo do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Murillo Santos. "O impeachment é uma coisa vergonhosa", afirmou. E o presidente do clube, brigadeiro Ércio Braga, não quis se estender sobre como esse tipo de discurso poderia sensibilizar os quartéis. "Não tenho intenção de responder pelos militares da ativa", cortou, rápido.
Vários decibéis acima, o capitão reformado do Exército e deputado federal Jair Bolsonaro (PPB) decidiu pregar pela execução - literal - do presidente Fernando Henrique. "Ele, para mim, tinha que ser fuzilado", afirmou. Bolsonaro defendeu a adoção do que classificou como "padrão Hugo Chávez" para o Brasil. "Se aparecer um oficial general, um militar qualquer que tenha como capitalizar para si os anseios da população, podemos partir para isso", disse.
Destoante mesmo, no entanto, era a presença do compositor Geraldo Vandré. Um dos ícones da revolta contra a ditadura militar graças à canção Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores - adotada como hino nas passeatas e manifestações -, nos últimos anos, Vandré foi adotado pela Força Aérea Brasileira, para quem compôs a música Fabiana. Segundo pessoas ligadas ao compositor, Br„uer, que o conheceu no 4º Comando Aéreo Regional (Comar) em 1993, foi quem ajudou Vandré em situações difíceis - que, desde a volta do auto-exílio, em 1971, não se apresentou mais em público.
Cabelos longos e grisalhos, camiseta com o símbolo da FAB, Vandré declamou ao microfone os versos de Fabiana. Ironia final, após a récita, dirigiu-se a Br„uer utilizando a famosa frase de seu hino de protesto: "Vem, vamos embora que esperar não é saber" - mas, na continuação, adicionou o refrão da música em homenagem à FAB: "Vive em tuas asas todo o meu viver". E arrematou: "Sou teu, Força Aérea".

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