Curitiba - O sonho de ir para outro país e viver uma vida de aventura junto ao exército da Legião Estrangeira pode acabar se tornando um pesadelo. Foi assim para o hoje desempregado Alcídio Renato Marques, 34 anos. Empolgado com a idéia de voltar à rotina militar que já viveu no Exército brasileiro, deixou seu emprego de inspetor em uma escola de Curitiba, vendeu o carro, gastou 1.500 euros para ir à França e voltou ao Brasil sem dinheiro e sem concretizar o sonho de ser um legionário.
A Legião Estrangeira é um ramo do exército francês, com cerca de 8,5 mil homens distribuídos por regimentos que ficam espalhados pela França, África e América do Sul. Está entre as melhores tropas especiais do mundo e o que a distingue das demais é o fato de aceitar nas suas fileiras cidadãos estrangeiros de todos os países. O alistamento é voluntário.
Frustrado com a experiência, Marques decidiu fazer um alerta para que outros sonhadores não criem a mesma expectativa com relação à Legião Estrangeira. É que mesmo tendo passado por todos os exames de seleção, ele acabou sendo rejeitado por causa da idade, apesar do critério de recrutamento considerar a faixa etária dos 18 aos 40 anos.
Marques contou que encontrou muitos brasileiros que não foram aceitos na Legião Estrangeira e que como não tinham dinheiro para voltar ao Brasil acabaram ficando ilegalmente na França ou indo para Portugal trabalhar clandestinamente.
Na embaixada da França, em Brasília (DF), uma funcionária que preferiu não se identificar, disse que a Legião Estrangeira não segue os critérios de seleção como ''norma absoluta''. É uma organização autônoma que se outorga o direito de decidir se aceita ou não o candidato, independente de ele ter passado por todas as etapas de seleção, explicou ela. ''Talvez eles estejam com efetivo grande demais'', ponderou, lembrando que, hoje, são poucas as zonas de conflito e com a queda da Iugoslávia, a Legião absorveu muito contingente nórdico. A embaixada não tem qualquer ligação com a Legião Estrangeira.

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