Ex-bispos afirmam ter sido obrigados pela Universal a fazer vasectomia
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por Rodrigo Mattos 
Rio, 21 (AE) - Ex-pastores da Igreja Universal do Reino de Deus fizeram hoje à tarde um protesto na frente do templo de Del Castilho, zona norte do Rio. Eles reinvindicam uma resposta a ações cíveis movidas contra a igreja. Os manifestantes dizem que a Universal os expulsou baseado em acusações falsas. Segundo os ex-pastores, a igreja os obrigou a fazer vasectomias.
Doze ex-pastores movem ações contra a Universal, em sua maioria pedindo reparações por danos morais. Líder do movimento, o locutor Marcelo Gonzalez, de 41 anos, mostrou o exame de espermograma, em que fica constatada a sua esterilidade. "Eles me obrigaram a fazer a vasectomia há dois anos porque um pastor com filhos gasta mais",disse.
Gonzalez informou que mais de 500 pastores também se esterilizaram por imposição da igreja. "Eles só não denunciam porque não querem perder o emprego", explicou. Hamílton Luciano de Almeida, outro ex-pastor, também fez vasectomia e foi expulso da Universal acusado de adultério. "A igreja induziu a minha mulher a testemunhar contra mim", disse.
Há acusações mais graves de estelionato e sequestro. Ex-pastor geral da Região Norte Aloísio de Carvalho, de 42 anos, foi acusado de ter roubado a igreja após ter movido processo na 17ª Vara Cível do Rio contra a entidade. A prova utilizada pela Universal eram cheques que teriam sido assinados pelo ex-pastor no valor total de R$ 360 mil. Um exame grafotécnico feito a pedido da Justiça comprovou que as assinaturas eram falsificadas.
"Foi cometido crime de estelionato", afirmou Carvalho, que disse só não ter sido submetido à operação de vasectomia porque estava em um patamar mais alto na hierarquia da igreja. "Os chefões não precisam se esterilizar", lembrou Gonzalez, que acusou a Universal de ter sequestrado um dos integrantes do movimento. "Eles também me ameçaram de morte", contou.
Na porta do templo, os manifestantes distribuíram panfletos, utilizaram um alto-falante para fazer denúncias e estenderam faixas. Por orientação dos bispos, os fiéis e pastores não puderam ficar na porta para ouvir o protesto. Dentro do templo, os pastores e seguranças se recusavam a dar informações e a direção do templo não quis falar com a reportagem.


