Policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) prenderam ontem o ex-BBB Laércio de Moura, de 53 anos. Moura participou da última edição do programa Big Brother Brasil e é suspeito de ter praticado o crime de estupro de vulnerável e de ter fornecido bebida alcoólica a menores de idade. O mandado é de prisão preventiva. Não há, portanto, prazo para que o suspeito deixe a cadeia.
A delegada do Nucria, Daniela Andrade, informou que a suposta vítima tinha 13 anos quando foi abordada por Moura. "Ela confirmou que se relacionou com ele enquanto ainda tinha 13 anos e que ele forneceu bebida alcoólica para ela, o que caracteriza um outro crime. […] A partir do momento em que ele apareceu no programa, houve inúmeras denúncias de que ele se relacionava com menores de 14 anos, o que caracteriza o crime de estupro de vulnerável porque a lei presume a violência quando um maior de idade se relaciona com uma criança ou adolescente menor de 14 anos", explicou. O crime ocorria desde 2012. A adolescente hoje está com 17 anos. A família da vítima não sabia do ocorrido.
Moura foi detido na casa dele em Curitiba. Um computador, um HD externo, pen drives, CDs com imagens e três celulares foram apreendidos. Os objetos passarão por perícia. As redes sociais do ex-BBB foram analisadas durante a investigação.
De acordo com a delegada adjunta do Nucria, Patrícia Nobre, declarações de Moura durante o programa desencadearam uma onda de denúncias. O ex-BBB teria dito que gostava de se relacionar com menores de idade. "Com certeza o que foi dito no programa foi o que deu início à investigação", ressaltou Patrícia.
"A gente alerta os pais a monitorar as crianças. Não confiem em pessoas desconhecidas, ainda que sejam médicos, enfermeiros, policiais ou em qualquer outra pessoa que, por sua profissão, possa passar a impressão de confiança. Infelizmente, a gente pode ter esse tipo de criminoso em qualquer profissão", completou. A pena para o crime de estupro de vulnerável pode chegar a 15 anos de detenção. O advogado de Moura, Ronaldo Manoel Santiago, não retornou as ligações.
A investigação ocorreu nos últimos três meses. Em nota, o Ministério Público informou que recebeu um pedido de providências em fevereiro de 2016. "O MP-PR aguarda a análise pericial e a conclusão das investigações pelo Nucria, que hoje recebeu informações sobre outras supostas vítimas", destacou a assessoria. Denúncias podem ser feitas pelo telefone (41) 3270-3370.

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